O que é o hirsutismo?
Hirsutismo é o crescimento excessivo de pelos grossos e escuros em mulheres, em áreas típicas de padrão masculino — como face (buço, queixo), tórax, abdômen, costas, glúteos e parte interna das coxas.
Esse aumento de pelos ocorre devido à maior ação dos hormônios androgênios (como testosterona) nos folículos pilosos.
As principais causas incluem:
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Síndrome dos ovários policísticos (SOP) — a mais comum.
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Aumento da produção de androgênios (ovariana ou adrenal).
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Maior sensibilidade do folículo piloso aos androgênios.
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Medicamentos.
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Causas raras, como tumores secretores de androgênios.
Quando investigar?
Quando o surgimento é rápido, muito intenso ou associado a sintomas como acne grave, irregularidade menstrual, voz grossa, queda de cabelo ou aumento de massa muscular.
Como deve ser feita a escolha do tratamento do hirsutismo?
A decisão terapêutica depende da gravidade do hirsutismo, da causa identificada, do impacto estético e emocional sobre a paciente e da presença de hiperandrogenismo. Sendo assim, o objetivo é melhorar o quadro clínico e a satisfação da paciente, observando a redução do escore de Ferriman-Gallwey (mFG) e, quando presente, a normalização dos níveis de androgênios.
Quanto tempo leva para avaliar a resposta ao tratamento?
É necessário manter qualquer terapia por pelo menos seis meses, que corresponde ao ciclo completo de crescimento dos pelos. No entanto, caso não haja melhora após esse período, é possível ajustar a dose, mudar o medicamento ou associar diferentes terapias.
Quais fatores devem ser considerados antes de iniciar o tratamento medicamentoso?
Deve-se levar em conta se a paciente está em idade fértil, se há desejo de engravidar e quais são os possíveis efeitos colaterais das medicações propostas.
Quais são as opções não medicamentosas para tratar o hirsutismo?
Métodos cosméticos podem ser usados sozinhos ou combinados com medicamentos, independentemente da causa do hirsutismo. Portanto, eles se dividem em temporários e duradouros.
Quais são os métodos temporários?
• Lâmina de barbear: rápida e segura, mas de efeito passageiro. Não altera o crescimento dos pelos, apenas muda a ponta, que parece mais grossa.
• Creme depilatório: quebra o pelo por hidrólise; deve ser aplicado por 5–15 minutos.
• Pinça ou cera: arrancam o pelo do bulbo, com intervalo maior entre as sessões (até 6 semanas).
• Descoloração: não remove o pelo, mas clareia, disfarçando a aparência, geralmente com peróxido de hidrogênio.
Quais métodos proporcionam resultados mais duradouros?
• Eletrólise: destrói o folículo com corrente elétrica. É eficaz, mas demorado e pode causar dor e alterações pigmentares.
• Termólise: semelhante à eletrólise, porém usa corrente de alta frequência; é mais rápida e menos dolorosa.
• Laser e luz intensa pulsada (LIP): danificam os folículos por aquecimento da melanina, sendo mais eficazes em mulheres de pele clara e pelos escuros. Geralmente são necessárias 5 a 7 sessões mensais para resultados prolongados.
Estudos mostram redução de até 50% dos pelos com laser de alexandrita e diodo, por cerca de seis meses. Apesar de o efeito a longo prazo ainda ser limitado, esses métodos são seguros e bem tolerados.
Quais são os objetivos do tratamento medicamentoso?
O tratamento visa:
1. Reduzir a produção de androgênios (quando há hiperandrogenismo).
2. Bloquear a ação dos androgênios nos folículos pilosos.
É indicado para mulheres não grávidas e que não estejam tentando engravidar.
Quando usar anticoncepcionais orais no tratamento do hirsutismo?
Os anticoncepcionais combinados são a primeira escolha para mulheres sem desejo reprodutivo. Tendo em vista que eles diminuem a produção de androgênios ovarianos. Somado a isso, aumentam a SHBG, reduzindo a testosterona livre. Por fim, alongo prazo, reduzem a ligação da DHT ao receptor androgênico.
As melhores opções são combinações de etinilestradiol com progestágenos de baixa androgenicidade (como desogestrel ou gestodeno) ou de ação antiandrogênica (ciproterona, drospirenona ou clormadinona).
O uso está associado à melhora clínica, embora o risco de tromboembolismo venoso seja maior com progestágenos de terceira geração.
Quando adicionar antiandrogênios?
Em casos de hirsutismo grave ou resposta insatisfatória após seis meses de anticoncepcional, é possível associar um antiandrogênio. Portanto, se o anticoncepcional for contraindicado, o antiandrogênio pode ser usado isoladamente, com método contraceptivo adicional, devido ao risco de malformações em fetos masculinos.
Referência: Endocrinologia Clínica 6a edição , 2016 Vilar, Lúcio