As personalidades anormais têm suas inclinações originadas logo na infância e adolescência. Os transtornos de personalidade são desadaptativos e causam problemas ao indivíduo, àqueles que convivem com ele ou mesmo à sociedade.

A prevalência destes transtornos chega a ser em média de 20%. O diagnóstico categorial proposto pelo DSM IV divide as personalidades anormais em agrupamentos ou clusters, de acordo com os traços predominantes de temperamento e caracterização clínica comum:

Cluster A: o elemento central é a excentricidade e o distanciamento afetivo e / ou social. Apresentam essencialmente baixa dependência de gratificação.

Cluster B: características de teatralidade e impulsividade, temperamento com grande busca por novidade, com baixa tolerância às frustrações. São exploradores, impulsivos, extravagantes e irritáveis.

Cluster C: predominam características de ansiedade e apreensão. Comportamento de alta esquiva ao dano.

 

O texto a seguir te mostrará 5 transtornos de personalidade importantes de serem reconhecidos no consultório médico.

Boa leitura!

 

1) TRANSTORNO DE PERSONALIDADE PARANÓIDE

No mínimo, quatro dos seguintes critérios:

1. Suspeita, sem fundamento suficiente, de estar sendo explorado, maltratado ou enganado por terceiros;

2. Preocupa-se com dúvidas infundadas acerca da lealdade ou confiabilidade de amigos ou colegas;

3. Reluta em confiar nos outros por um medo infundado de que essas informações possam ser maldosamente usadas contra si;

4. Interpreta significados ocultos, de caráter humilhante ou ameaçador em observações ou acontecimentos benignos;

5. Guarda rancores persistentes, ou seja, é implacável com insultos, injúrias ou deslizes;

6. Percebe ataques a seu caráter ou reputação que não são percebidos pelos outros e reage rapidamente com raiva ou contra-ataque.

Obs 1.: Tem suspeitas recorrentes, sem justificativa, quanto à fidelidade do cônjuge ou parceiro sexual.

 

Epidemiologia:

Prevalência de 0,5 a 2,5% na população geral, mais frequente em homens;

Complicações: Transtornos Psicóticos.

Comorbidades: risco aumentado para depressão, TOC, agorafobia e abuso ou dependência de substâncias.

 

2) TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ESQUIZÓIDE

“Um padrão invasivo de distanciamento das relações sociais e um alcance restrito de expressão de emoções, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos”.

Os critérios são (pelo menos quatro):

1. Não deseja e nem aprecia relações íntimas, incluindo ser parte de uma família;

2. Quase sempre escolhe atividades solitárias;

3. Tem pouca, se alguma, vontade de ter relações sexuais com outra pessoa;

4. Tem prazer em poucas atividades, se alguma;

5. Falta de amigos íntimos ou confidentes que não sejam parentes de primeiro grau;

6. É indiferente às críticas ou elogios;

7. Mostra frieza emocional, distância ou afetividade limitada.

 

Epidemiologia:

Prevalência chega até 7,5% na população geral, mais comum em homens;

Associação com antecedentes familiares de esquizofrenia e transtorno esquizotípico;

Complicações: Transtornos Psicóticos.

 

3) TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ESQUIZOTÍPICA

“Um padrão invasivo de déficits sociais e interpessoais, marcado por agudo desconforto e reduzida capacidade para relacionamentos íntimos, além de distorções cognitivas ou perceptivas e comportamento excêntrico, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos”.

 

Os critérios são (pelo menos cinco):

1. Ideias de referência (excluindo delírios de referência);

2. Crenças bizarras ou pensamento mágico que influenciam o comportamento e são inconsistentes com as normas da subcultura do indivíduo (por ex., superstições, crença em clarividência, telepatia ou “sexto sentido”; em crianças e adolescentes, fantasias e preocupações bizarras);

3. Experiências perceptivas incomuns, incluindo ilusões somáticas;

4. Pensamento e discurso bizarros (por ex., vago, circunstancial, metafórico, superelaborado ou estereotipado);

5. Desconfiança ou ideação paranoide;

6. Afeto inadequado ou constrito;

7. Aparência ou comportamento esquisito, peculiar ou excêntrico;

8. Não tem amigos íntimos ou confidentes, exceto parentes em primeiro grau;

9. Ansiedade social excessiva que não diminui com a familiaridade e tende a estar associada com temores paranoides, ao invés de julgamentos negativos acerca de si próprio.

 

Epidemiologia:

Prevalência de 2 a 6% na população geral.

Associação com síndrome do X frágil e esquizofrenia.

Complicações: Transtornos Psicóticos; Comorbidades: Depressão.

 

4) TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTI-SOCIAL

A. Um padrão pervasivo de desrespeito e violação aos direitos dos outros, que ocorre desde a adolescência, como indicado por pelo menos três dos seguintes critérios:

1. Fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos legais, indicado pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção;

2. Impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro;

3. Irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas corporais ou agressões físicas;

4. Desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia;

5. Irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou honrar obrigações financeiras;

6. Ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado outra pessoa;

7. Tendência para enganar, indicada por mentir repetidamente, usar nomes falsos ou ludibriar os outros para obter vantagens pessoais ou prazer;

 

B. Existem evidências de Transtorno de Conduta com início antes dos 15 anos de idade.

C. A ocorrência do comportamento antissocial não se dá exclusivamente durante o curso de Esquizofrenia ou Episódio Maníaco.

 

Epidemiologia:

 Prevalência de 3% em homens e 1% em mulheres;

Complicações: alterações do humor, problemas legais e morte prematura;

Comorbidades: depressão maior, transtornos ansiosos e de somatização, abuso e dependência de substâncias, transtornos do controle de impulsos, roubo patológico.

 

5) TRANSTORNO DE PERSONALIDADE NARCISISTA

1. Atribui a si mesmo importância excessiva - e é visto pelos outros como tendo o ego inflado;

2. Pode alimentar fantasias de amor perfeito (adoração completa), além de sucesso, fama, poder, beleza ilimitados;

3. É exibicionista e precisa ser visto e admirado de alguma forma - ainda que negativamente;

4. Tem tendência a sentir raiva aparentemente sem razão;

5. Tende a tratar as pessoas com frieza como forma de puni-las, ou para dar pistas de que não precisa mais delas;

6. Rumina constantemente sentimentos de inferioridade, vergonha e vazio interior;

7. Idealiza ou desvaloriza completamente as pessoas de maneira quase instantânea, fundamentando-se em poucos dados objetivos;

8. Mostra dificuldade ou incapacidade de sentir empatia.

 

Epidemiologia:

 Prevalência menor que 1% na população em geral, mais comum em homens;

Pais narcísicos constituem fatores predisponentes por criarem um senso irreal de grandiosidade. Além disso, muitas pessoas narcísicas são realmente talentosas, bonitas e inteligentes;

Comorbidades: depressão maior, abuso e dependência de substâncias.

 

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Referência:

Manual de Psiquiatria – Felipe Paraventi.