Como a anorexia nervosa é definida no DSM-5?

  • Busca intensa pela magreza.
  • Perda de peso ou falta de ganho esperado durante o crescimento.
  • Recusa em manter peso adequado.
  • Medo de engordar ou comportamentos persistentes para evitar ganho de peso.

Quais são os critérios diagnósticos da bulimia nervosa?

  • Episódios repetidos de compulsão alimentar, ou seja, ingestão de grandes quantidades de comida com perda de controle.
  • Comportamentos compensatórios para evitar ganho de peso (ex.: vômitos, uso de laxantes, exercícios excessivos).
  • Preocupação excessiva com peso e forma corporal, que influencia a autoestima.

O que diferencia o transtorno de compulsão alimentar (TCA) da bulimia nervosa?

No transtorno de compulsão alimentar, há também episódios recorrentes de compulsão alimentar, mas não há uso regular de métodos compensatórios (como vômitos ou purgação). Além disso, os episódios costumam estar associados a sofrimento significativo.

Existem outros transtornos alimentares além desses?

Sim. O DSM-5 inclui os transtornos alimentares e da ingestão de alimentos especificados (TAESE), que englobam casos em que:

  • Os sintomas são mistos (ex.: purgação após ingestão de alimentos de tamanho normal).
  • Ou não atingem a frequência/duração exigidas para o diagnóstico de anorexia nervosa, bulimia nervosa ou transtorno de compulsão alimentar.

Quais são os principais riscos e complicações dos transtornos alimentares?

  • Todos causam grande sofrimento emocional e social.
  • Estão associados a morbidade clínica importante e aumento da mortalidade.
  • Pessoas com anorexia nervosa, por definição, estão em estado de desnutrição e inanição.
  • No transtorno de compulsão alimentar, mais de 40% dos pacientes são obesos, o que aumenta o risco metabólico.
  • Há alta comorbidade psiquiátrica, principalmente com transtornos de ansiedade e depressão.

Quando geralmente surgem esses transtornos?

  • Anorexia nervosa: início mais comum do começo à metade da adolescência.
  • Bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar: costumam começar no fim da adolescência ou no início da idade adulta.

Quais são os desfechos esperados com tratamento?

Anorexia nervosa:

  • Cerca de 40% têm boa recuperação em até 5 anos.
  • Outros 40% permanecem sintomáticos, mas com limitações menores.
  • Em torno de 20% evoluem com quadro crônico e incapacitante.
  • O prognóstico é melhor quando o diagnóstico e tratamento são precoces, especialmente em adolescentes.

Bulimia nervosa e transtornos alimentares e da ingestão de alimentos especificados: o desfecho costuma ser melhor do que na anorexia nervosa, mas apenas até 50% atingem recuperação completa.

Quais são as dificuldades no manejo clínico?

Muitos casos não são diagnosticados ou tratados adequadamente, o que piora os resultados. Por isso, o tratamento deve sempre considerar as dimensões médica, psicológica e social do paciente.


Qual é o papel da psicoterapia no tratamento dos transtornos alimentares?

A psicoterapia é considerada o tratamento de primeira escolha para anorexia nervosa (AN), bulimia nervosa (BN) e transtorno de compulsão alimentar (TCA).

  • A terapia cognitivo-comportamental (TCC) tem maior evidência em adultos com bulimia nervosa.
  • A terapia baseada na família (TBF) é o tratamento mais indicado para crianças e adolescentes com anorexia nervosa.
  • Outras terapias, como a terapia interpessoal (TIP), psicoterapia dinâmica e terapia comportamental dialética, também mostram benefícios em alguns estudos.

Quando a terapia baseada na família é mais indicada?

Em crianças e adolescentes com anorexia nervosa, a abordagem mais estudada e recomendada é a terapia baseada na família manualizada de Maudsley.

  • Ensaios clínicos mostram que a terapia baseada na família é superior a terapias individuais nessa faixa etária.
  • Já em adultos com anorexia nervosa e em adolescentes com bulimia nervosa, os resultados são menos consistentes.

Quais são as evidências da terapia cognitivo-comportamental na anorexia nervosa?

Nos estudos sobre anorexia nervosa, a terapia cognitivo-comportamental apresenta resultados inconclusivos.

E na bulimia nervosa e no transtorno de compulsão alimentar?

  • A terapia cognitivo-comportamental, especialmente no formato TCC-BN (Fairburn, 2008), é a mais estudada e considerada terapia de primeira linha.
  • Ensaios clínicos mostraram eficácia da terapia cognitivo-comportamental em diferentes formatos: individual, em grupo, autoajuda orientada e até online.
  • A terapia cognitivo-comportamental é superior à farmacoterapia isolada, e os pacientes tendem a abandonar menos o tratamento do que quando usam apenas antidepressivos.

A combinação de terapia cognitivo-comportamental com medicamentos traz mais benefícios?

  • Em bulimia nervosa, os resultados foram variados. Por exemplo: fluoxetina ou antidepressivos tricíclicos, quando comparados à terapia cognitivo-comportamental, não mostraram ganhos significativos na maioria dos ensaios.
  • No transtorno de compulsão alimentar, a terapia cognitivo-comportamental isolada foi tão eficaz quanto quando associada a fluoxetina ou desipramina.
  • Entretanto, a associação com topiramato mostrou benefício adicional, embora com maior risco de efeitos adversos.

Existe alguma versão expandida da terapia cognitivo-comportamental?

Sim, a TCC-E (TCC estendida ou transdiagnóstica), que aborda fatores predisponentes e de manutenção comuns aos transtornos alimentares.

  • Mostrou vantagem em pacientes com casos mais graves, complexos ou com comorbidades.

Quais outras abordagens têm sido testadas?

  • Psicoterapia psicanalítica focal (PPF): possui evidências razoáveis, principalmente na anorexia nervosa .
  • Terapia cognitiva analítica e terapia de motivação: em estudo, mas com evidências ainda limitadas.
  • Mindfulness e terapia comportamental dialética: promissoras, especialmente em bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar.
  • Terapia interpessoal (TIP): também mostrou eficácia nesses dois transtornos.