O transtorno factício corresponde à produção intencional de sinais e/ou sintomas físicos ou psicológicos motivada pelo desejo voluntário de assumir o papel de doente sem uma motivação externa identificada (ou seja, não existe a intenção de afastamento do trabalho, esquiva do serviço militar ou angariar cuidados de familiares).

A gravidade do transtorno pode variar desde a invenção de histórico médico falso, passando por simulação de um quadro clínico, até agravamento de doenças reais pré-existentes e nos casos mais graves a produção de uma doença nova em si próprio para assumir o papel de doente.

Interessante né?

Leia o texto a seguir e conheça mais esse transtorno da psiquiatria!

 

Quais são os subtipos?

1) Pseudologia fantástica:

Consiste na invenção de histórias possíveis mas pouco prováveis na qual o paciente que narra os fatos sempre se coloca como vítima ou como o herói de eventos envolvendo sua saúde em momento do passado que geralmente não existiram ou foram exagerados para produzir um colorido na história clínica e prender a atenção do ouvinte.

2) Peregrinação:

Geralmente os pacientes tem um histórico de passagem por vários serviços de saúde prévios tendo evadido dos mesmos após investigações exaustivas e na proximidade dos fatos (das queixas) serem desmascaradas.

3) Apresentação atípica e dramática das doenças:

Comunicam diagnósticos raros nunca antes confirmados de forma dramática e com colorido exagerado dos fatos.

 

No DSM-5 o transtorno factício foi subdivido em dois subgrupos:

A) Auto-imposto:

Neste grupo o indivíduo se apresenta para os outros como doente ou faz esforços para se manter nesse papel, boicotando tratamentos ou produzindo lesões.

B) Hetero-imposto (antigo transtorno factício por procuração ou by proxy):

Forma de abuso contra crianças ou idosos ou deficientes mentais, onde doenças são falsificadas ou agravadas pelo cuidador com a finalidade de manter a vítima em uma situação de vulnerabilidade pela doença.

É comum a ocorrência deste subtipo de forma grave denominado Munchausen por procuração (hetero-imposto) onde a mãe forja doenças no filho a fim de mantê-lo doente.

 

AUTO-IMPOSTO:

A) Falsificação de sinais e/ou sintomas físicos ou psicológicos OU indução de lesões/ doenças em si mesmo, associados com uma fraude identificada.

B) O indivíduo se apresenta para os outros como doente, incapacitado ou inválido.

C) O comportamento factício é evidente mesmo na ausência de incentivos externos claros.

D) O comportamento não é melhor explicado por outro transtorno mental como um transtorno delirante ou outro transtorno psicótico.

 

HETERO-IMPOSTO:

A) Falsificação de sinais e/ou sintomas físicos ou psicológicos OU indução de lesões/doenças em outro indivíduo, associados com uma fraude identificada.

B) O indivíduo apresenta uma outra pessoa para os outros como doente, incapacitado ou inválido.

C) O comportamento factício é evidente mesmo na ausência de incentivos externos claros.

D) O comportamento não é melhor explicado por outro transtorno mental como um transtorno delirante ou outro transtorno psicótico.

 

NOTA: O diagnóstico é dado a quem pratica os atos e a vítima recebe o diagnóstico de abuso físico.

 

Diagnóstico diferencial:

O principal diagnóstico diferencial do transtorno factício ocorre com simulação.

Nesta condição, também ocorre uma produção intencional de sinais ou sintomas, porém se diferencia do transtorno factício por ser claramente baseado em uma motivação externa (finalidade de se aposentar por doença, finge estar doente com a finalidade de não ter que prestar serviço militar, entre outras).

O diagnóstico confirmatório de transtorno factício e de simulação na prática médica é muito difícil, tanto por ser difícil angariar provas reais de que a doença esteja sendo produzida intencionalmente quanto pela repercussão jurídica que um diagnóstico nesse sentido possa acarretar.

 

Obs.:

A literatura sugere algumas características que podem auxiliar na diferenciação dos transtornos por sintomas somáticos (somatoformes) dos transtornos factícios e simulação, embora essa diferenciação no dia-a-dia às vezes se mostra muito difícil e até mesmo impossível.

 

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Referência:

Psiquiatria – O essencial – Leonardo Augusto.