A sinusite infantil é difícil de diagnosticar. É classificado com base na duração da inflamação - aguda ou crônica - e na causa da inflamação - infecciosa ou não infecciosa. Hoje resolvemos trazer esse texto abordando os principais pontos que você médico precisa saber sobre essa doença.
Boa leitura!
Definição
É uma inflamação da mucosa nasossinusal, podendo ser classificada, de acordo com a duração dos sintomas, em:
- Aguda (até 12 semanas),
- Recorrente (6 ou mais episódios agudos ao ano, sem sintomas nas intercrises)
- Crônica (mais de 12 semanas)
Sinais e sintomas
A sinusite na criança é caracterizada pela presença de 2 ou mais sintomas, sendo que um deles deve ser:
- Obstrução/congestão nasal ou
- Secreção nasal anterior/posterior.
Obs 1.: Tosse e dor/pressão facial podem estar associados.
Ao exame endoscópico nasal, os sinais presentes devem ser:
- Secreção mucopurulenta do meato médio e/ou
- Edema de mucosa no meato médio e/ou
- Pólipos nasais
Ao exame tomográfico dos seios paranasais, alterações de mucosa nasal no complexo ostiomeatal e/ou seios paranasais podem ser visualizados.
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Sinusite aguda
Classificação:
- Sinusite viral (gripe ou resfriado): sintomas duram até 10 dias;
- Sinusite pós-viral: há piora dos sintomas após 5 dias ou persistência deles por mais de 10 dias e com menos de 12 semanas de evolução;
- RASB (bacteriana): é um subgrupo da sinusite pós-viral em que são observados pelo menos 3 dos seguintes sintomas/sinais: secreção mucopurulenta nasal e retronasal, febre (> 38ºC), dor facial ou piora dos sintomas após fase inicial da evolução.
Obs 2.: Menos de 10% das crianças com sinusite aguda viral evoluem para uma sinusite aguda bacteriana.
Diagnóstico diferencial:
- Corpos estranhos nasais e atresia de coana unilateral (sintomas unilaterais);
- Rinite alérgica (não apresenta rinorreia purulenta, nem febre);
- Adenoidite (muito semelhante)
Diagnóstico:
A história e o exame clínico incluindo a endoscopia nasal são fundamentais e suficientes.
Obs 3.: Cultura não é necessária na sinusite aguda não complicada
Pacientes com sintomas persistentes mesmo após tratamento adequado, recorrentes ou com complicações (orbitárias ou intracranianas) requerem estudos por imagem, sendo a tomografia computadorizada (TC) a modalidade de escolha.
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Tratamento:
Tratamento ambulatorial:
- Amoxicilina ou ampicilina 80 a 100 mg/dia à usa o dobro
Ou Amoxicilina + clavulanato 50mg/kg/dia
- Alérgicos à penicilina: cefalosporina de segunda geração (cefaclor ou cefuroxima)
Tratamento hospitalar:
- Ampicilina parenteral 200mg/kg/dia (dividida de 6 em 6h) ou 50mg/kg/dose (4 doses);
- Em caso de resistência bacteriana ou alergia: cefalosporina de terceira geração;
Sinusite crônica
Nas sinusites crônicas, alguns fatores de risco devem ser investigados, como infecções de vias áreas superiores de repetição, alergia, adenoide, doenças sistêmicas, refluxo gastroesofágico e variações anatômicas da cavidade nasal.
Avaliação:
Na avaliação da sinusite recorrente ou crônica, a endoscopia nasal e a TC dos seios da face são importantes.
Tratamento:
O tratamento visa principalmente a determinar as causas da recorrência ou da cronificação com os tratamentos específicos.
- Antibioticoterapia: é utilizada nos episódios de agudização da sinusite crônica, devendo cobrir os mesmos germes da aguda, porém com maior prevalência para o S. aureus, anaeróbios e fungos, e por tempo prolongado.
- Corticosteroide tópico intranasal: é considerado, como no adulto, o principal medicamento no tratamento da RSC na criança.
Nos casos de falha no tratamento adequado da sinusite crônica, a indicação cirúrgica deve ser considerada:
- Adenoidectomia com ou sem irrigação sinusal e/ou
- Cirurgia endoscópica dos seios acometidos.
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Referência: Ott, N L et al. “Childhood sinusitis.” Mayo Clinic proceedings vol. 66,12 (1991): 1238-47. doi:10.1016/s0025-6196(12)62475-6