A Síndrome dos Ovários Policísticos é uma doença endócrina complexa que tem como elementos principais hiperandrogenismo e anovulação crônica.

Representa uma das desordens endócrinas reprodutivas mais comuns em mulheres, acometendo em torno de 5% a 10% da população feminina em idade fértil.

Diante disso, hoje resolvemos trazer todas as informações que nós médicos devemos saber sobre o diagnóstico e tratamento da síndrome dos ovários policísticos. Boa leitura!

 

Sinais e sintomas:

Caracteriza-se por sinais associados à anovulação crônica, tais como:

- Irregularidade menstrual ou amenorreia

Ampla gama de achados decorrentes do hiperandrogenismo, tais como:

- Hirsutismo;

- Acne;

- Alopecia;

- Seborreia.

Observação 1:

A denominação dada a esta síndrome se deve à presença frequente de ovários aumentados de volume, com hipertrofia do estroma e múltiplos cistos na periferia do córtex.

 

Diagnóstico:

O diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos é um diagnóstico de exclusão. A suspeita se fundamenta em achados eminentemente clínicos:

- Irregularidade menstrual;

- Algum sinal clínico ou laboratorial de hiperandrogenismo: hirsutismo, acne, ou aumento dos níveis séricos de testosterona total, livre ou de androstenediona;

- Exclusão de outras causas de anovulação ou hiperandrogenismo.

Nota: resistência à insulina, hiperinsulinemia, relação LH/ FSH aumentada, imagem ultrassonográfica de microcistos.

Entenda que:

A Síndrome dos Ovários Policísticos é mais comum em obesas devido aos níveis circulantes mais elevados de estradiol e estrona consequentes à aromatização dos androgênios no tecido adiposo, entretanto pode estar presente também em mulheres com índice de massa corpórea normal.

 

Ultrassom:

A presença de ovários policísticos ao ultrassom é um dado inespecífico para o diagnóstico da síndrome, haja vista que mais de 25% das pacientes com este achado ultrassonográfico são assintomáticas e nem todas as pacientes com anovulação hiperandrogênica apresentam ovários com aspecto policístico não são imprescindíveis para o diagnóstico.

LH e FSH:

Os níveis de LH geralmente encontram-se elevados e os níveis de FSH geralmente normais ou baixos, embora 20% a 40% destas pacientes não apresentem estes achados.

Portanto, as dosagens de LH e FSH não são imprescindíveis. O diagnóstico laboratorial da anovulação não está indicado, devendo ser eminentemente clínico.

Resistência à insulina e hiperinsulinemia:

A maioria das mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos apresentam resistência à insulina e hiperinsulinemia compensatória, a qual interfere no mecanismo da ovulação.

Esta menor sensibilidade à insulina pode ser observada tanto em pacientes obesas quanto magras.

 

Tratamento:

A escolha do tratamento deve ter como base três eixos principais:

1. Tratamento de sinais e sintomas do hiperandrogenismo;

2. Tratamento da infertilidade;

3. Prevenção de consequências a longo prazo.

Tratamento de sinais e sintomas do hiperandrogenismo:

- Hirsutismo e acne

1. Anticoncepcional hormonal oral contendo progestínicos de menor efeito androgênico: acetato de ciproterona, desogestrel, gestodeno.

2. Espironolactona 50 - 200mg/dia

- Tratamento cirúrgico

- Controle de peso

- Tratamento da infertilidade: citrato de clomifeno

- Prevenção de consequências a longo prazo: A mudança de hábito de vida, com prescrição de dieta e exercício físico, consiste no tratamento de primeira linha

 

Aprendeu a conduta dessa doença?

Se você se interessa pela área da endocrinologia, saiba que a Faculdade CENBRAP possui em seu catálogo a Pós-graduação em endocrinologia! Garantia de ensino de qualidade!

 

Referência:

Síndrome dos Ovários Policísticos- Bacellar A, Longo AL, Ma