O que é sarcopenia?
A sarcopenia é uma condição caracterizada pela perda progressiva de massa muscular e força. É mais comum em idosos, mas também pode ocorrer em adultos mais jovens com doenças crônicas, como condições endócrinas ou inflamatórias.
Qual a diferença entre sarcopenia primária e secundária?
- Sarcopenia primária: ocorre quando não há uma causa específica além do envelhecimento.
- Sarcopenia secundária: está associada a uma condição identificável, como doenças crônicas, inflamação, desnutrição, imobilização ou alterações hormonais.
Qual é a prevalência da sarcopenia?
Em pessoas com mais de 60 anos, a prevalência média é de cerca de 10%, podendo chegar a 20% quando a bioimpedância elétrica (BIA) é utilizada como método diagnóstico. A perda de massa muscular ao longo do envelhecimento é estimada em cerca de 5% por década nos homens, sendo um pouco menor nas mulheres.
Por que a sarcopenia é clinicamente relevante?
A perda de massa e força muscular está associada a pior prognóstico, maior morbidade e mortalidade, independentemente da idade. Em pacientes com doenças crônicas, a sarcopenia pode ser tanto causa quanto consequência da doença de base, influenciando negativamente a evolução clínica.
A sarcopenia ocorre apenas em idosos?
Não. Embora seja mais frequente com o envelhecimento, a sarcopenia também é observada em pacientes com doenças crônicas, incluindo distúrbios endócrinos, inflamatórios e autoimunes.
Existem critérios diagnósticos específicos para pacientes com doenças crônicas?
Atualmente, não há critérios exclusivos para esse grupo. Os critérios inicialmente desenvolvidos para idosos são, na prática, aplicados também a outras populações, incluindo adultos com doenças crônicas.
Quais são os principais mecanismos envolvidos na patogênese da sarcopenia?
Os mecanismos mais importantes incluem:
- Redução da atividade física;
- Diminuição da ingestão alimentar e de proteínas;
- Perda da inervação motora;
- Desequilíbrio entre síntese e degradação proteica, com resistência ao anabolismo pós-prandial;
- Alterações hormonais, como redução de hormônios sexuais, vitamina D e GH, além de aumento do cortisol;
- Inflamação crônica, com aumento de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-6) e miostatina;
- Estresse oxidativo e disfunção mitocondrial;
- Resistência à insulina.
Como a sarcopenia foi inicialmente definida?
Em 1998, a sarcopenia foi definida apenas com base na redução da massa muscular. Com o tempo, percebeu-se que a força muscular e a função física também são fundamentais para o diagnóstico.
Como o diagnóstico de sarcopenia é definido atualmente segundo o EWGSOP?
O European Working Group on Sarcopenia in Older People propõe três componentes:
- Redução da força muscular – indica sarcopenia provável;
- Baixa quantidade ou qualidade muscular – confirma o diagnóstico;
- Baixo desempenho físico – caracteriza sarcopenia grave.
A presença dos dois primeiros critérios confirma a sarcopenia; os três indicam forma grave.
O que é o questionário SARC-F e para que ele serve?
O SARC-F é um instrumento simples de rastreamento que avalia dificuldades em:
- Força;
- Caminhar;
- Levantar da cadeira;
- Subir escadas;
- Quedas.
Uma pontuação ≥ 4 sugere risco de sarcopenia e indica a necessidade de avaliação objetiva da força muscular.
Quais testes são usados para avaliar a força muscular?
Os testes mais utilizados são:
- Força de preensão palmar;
- Teste de levantar da cadeira.
Esses testes são simples, rápidos e úteis na prática clínica.
Quais métodos avaliam a massa muscular?
Os principais métodos incluem:
- Ressonância magnética (RM) e tomografia computadorizada (TC): considerados padrão-ouro, mas com alto custo e baixa disponibilidade.
- DXA (absorciometria por dupla energia): método de referência na prática clínica, permitindo estimar a massa muscular apendicular.
- Bioimpedância elétrica (BIA): método indireto, portátil e de baixo custo, mas sensível ao estado de hidratação.
- Ultrassonografia muscular: método promissor, portátil, sem radiação, capaz de avaliar quantidade e qualidade muscular.
- Antropometria: usada como triagem (ex.: circunferência da panturrilha e do braço).
Quais são as limitações dos marcadores laboratoriais?
Até o momento, nenhum marcador bioquímico isolado demonstrou sensibilidade e especificidade suficientes para integrar o diagnóstico rotineiro da sarcopenia.
Como é avaliado o desempenho físico?
Os testes mais utilizados são:
- Velocidade da marcha (≤ 0,8 m/s sugere baixo desempenho);
- SPPB (Short Physical Performance Battery) – escore ≤ 8 indica limitação funcional;
- TUG (teste de levantar e caminhar) – simples e aplicável em consultório;
- Teste de caminhada de 400 metros.
Qualquer alteração nesses testes pode indicar sarcopenia grave.
Referência: Endocrinologia Clínica 6a edição , 2016 Vilar, Lúcio