Os últimos textos que a Faculdade Cenbrap produziu da área de endocrinologia, foram abordados temas como classificação, diagnóstico e o tratamento da diabetes melito e também sobre a retinopatia diabética. Hoje iremos continuar sobre esse assunto, mas dessa vez falando do diagnóstico e tratamento da pré-diabetes.

A pré-diabetes ocorre com a elevação da glicemia que não preenche os critérios para o diagnóstico de diabetes melito. Essa entidade clínica vem atualmente recebendo muita atenção pela sua elevada prevalência, decorrente de um estilo de vida inapropriado e do envelhecimento populacional.

Esse tema de tamanha relevância será discutido a seguir (Tenha uma ótima leitura !!):

 

Epidemiologia:

A prevalência de pré-diabetes pelo critério American Diabetes Association foi de 18,5% e de 7,5% pelo critério da Organização Mundial da Saúde.

Verificou-se um gradiente de aumento das prevalências segundo a idade da população e presença de fatores de risco como hipertensão arterial, obesidade, circunferência abdominal elevada e baixo colesterol HDL.

 

Categorias de risco aumentado para diabetes melito tipo 2 (pré-diabetes), de acordo com a American Diabetes Association:

- Glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dl (glicemia de jejum alterada)

- Glicemia de 2 h no TOTG-75 g entre 140 e 199 mg/dl (tolerância diminuída à glicose)

- HbA1c entre 5,7 e 6,4%

 

Critérios para o rastreamento do diabetes melito tipo 2 (DM2) em indivíduos assintomáticos, de acordo com a American Diabetes Association:

O rastreamento deve ser realizado em todos os indivíduos com sobrepeso que preencham os seguintes critérios:

- Sedentarismo Familiar em primeiro grau com diabetes melito 2

- Grupos étnicos de maior risco (afro-americanos, latinos, índios, asiáticos, moradores das ilhas do Pacífico)

- Mulheres com gestação prévia com feto com ≥ 4 kg ou com diagnóstico de DM gestacional

- Hipertensão (≥ 140/90 mmHg ou uso de anti-hipertensivo)

- HDL-colesterol ≥ 35 mg/dl e/ou triglicerídeos ≥ 250 mg/dl

- Mulheres com síndrome dos ovários policísticos

- HbA1c ≥ 5,7%

- Tolerância diminuída à glicose ou glicemia de jejum alterada em exame prévio

- Outras condições clínicas associadas à resistência insulínica (p. ex., obesidade grave, acantose nigricans)

- História de doença cardiovascular

Obs 1.: Na ausência dos critérios citados, o rastreamento do diabetes melito 2 deve ser iniciado a partir dos 45 anos

Obs 2.: Se os resultados forem normais, o rastreamento deve ser repetido a cada 3 anos, considerando-se maior frequência na dependência dos fatores de risco iniciais

 

Abordagens terapêuticas

Devido à elevada prevalência do pré-diabetes, ao melhor conhecimento atual de sua fisiopatologia e à sua potencial evolução para situações de maior complexidade clínica, evidências crescentes apontam para os benefícios de intervenções terapêuticas para essa condição.

As abordagens têm sido centradas na prevenção do diabetes melito, na prevenção de complicações micro e macrovasculares, bem como na redução de mortalidade.

Prevenção do diabetes melito

Tolerância diminuída à glicose e glicemia de jejum alterada compartilham duas características em comum: o comprometimento da função das células beta e a resistência à insulina.

Desse modo, parece lógico supor que os esforços para preservar ou melhorar as funções das células beta e/ou diminuir a resistência podem ser uma maneira poderosa para retardar a conversão do pré-diabetes em diabetes melito.

 

Abordagem comportamental

As chamadas mudanças de estilo de vida, que compreendem redução na ingesta calórica diária, prática regular de atividades físicas (pelo menos 150 minutos por semana) e redução do excesso de peso corporal (da ordem de 5% em pacientes com sobrepeso ou obesidade), são reconhecidas atualmente como a mais importante medida terapêutica no paciente com pré-diabetes.

 

Abordagem farmacológica

Houve significativa expansão das opções terapêuticas para o tratamento do diabetes melito 2 nos últimos 20 anos, com o surgimento de novas classes terapêuticas de distinta ação nos diferentes mecanismos fisiopatológicos.

Neste contexto, a aplicação dessas medicações em estudos clínicos específicos para a população com pré-diabetes é relativamente recente.

Medicamentos:

- Metformina

- Glitazonas

- Inibidores da alfaglicosidase

- Análogos do GLP-1

- Agentes antiobesidade

- Insulinoterapia

 

Abordagem cirúrgica

O tratamento cirúrgico da obesidade tem demonstrado ser uma abordagem eficaz para perda de peso, com bons resultados a médio e longo prazo. Os benefícios glicêmicos, decorrentes da modificação do trânsito intestinal e aumento da produção do GLP-1, além da menor lipotoxicidade decorrente da perda de peso, já estão bem estabelecidos.

Estudos recentes demonstraram uma significativa redução na progressão para diabetes melito 2, da ordem de 75%, em comparação com obesos não submetidos à cirurgia bariátrica.

Chegamos ao fim, desse tema de endocrinologia! Gostou?

 

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Referência:

Endocrinologia clínica - Lucio Vilar