A pneumonia é a principal causa de mortalidade em crianças menores de cinco anos nos países em desenvolvimento. Este dado alarmante evidencia a importância do estudo sobre a pneumonia e a necessidade do médico se manter atualizado, então, é fundamental que o médico saiba identificar os primeiros e principais sintomas que a criança apresentará. Não menos importante, o diagnóstico e o tratamento correto fazem parte de uma conduta adequada. Por isso, neste texto abordaremos os seguintes aspectos da pneumonia na infância:

 

              - Sinais e sintomas

              - Sinais de gravidade

              - Diagnóstico

              - Exames complementares

              - Tratamento (antibióticos de primeira linha e outras opções)

 

Sinais e Sintomas:

  • - Tosse
  • - Hipertermia ou Hipotermia
  • - Taquipneia
  • - Dor torácica
  • - Estertores finos (crepitações)

 

Sinais e sintomas de Gravidade:

  • - Tiragem subcostal (retração do tórax) - recomendação de internação imediata.
  • - Outros sinais sistêmicos de gravidade como as convulsões
  • - Dificuldade para ingerir líquidos
  • - Cianose central 
  • - Saturação periférica abaixo de 92%



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Diagnóstico

A radiografia de tórax não deve ser realizada de rotina para o diagnóstico de pneumonia em crianças sem sinais de gravidade, pois não há evidências que alterem o resultado clínico. Deve-se solicitar quando:

  • - Há dúvida de diagnóstico, embora radiografia normal não exclui pneumonia e radiografia anormal pode ser interpretada como normal; 
  • - Pneumonia com hipoxemia, desconforto respiratório, entre outros sinais de gravidade;
  • - Falha de resposta ao tratamento em 48 a 72h ou se piora progressiva, para verificar se há complicações (empiema, pneumotórax, escavação);
  • - Paciente hospitalizado (PA e perfil).

 

Atente-se: Na ausência de sibilância, as crianças com taquipneia podem ser diagnosticadas com Pneumonia Adquirida na Comunidade. Sendo assim, a Sociedade Brasileira de Pediatria disponibilizou os valores de corte para a Frequência Respiratória conforme a faixa etária:

 

 

Exames auxiliares que auxiliam no diagnóstico:

  • - Hemocultura e pesquisa viral em secreções respiratórias para a busca do agente etiológico.
  • - Em casos de Derrame pleural: exame bacteriológico, para identificação da etiologia e a relação entre a proteína total e a desidrogenase lática (LDH) do líquido pleural para diferenciação entre exsudato e transudato. 
  • - Em suspeita de infecção por Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia sp pesquisa de anticorpos IgM ou IgG está indicada. 
  • - Testes inespecíficos como PCR, VHS, contagem de leucócitos e eosinófilos podem ser úteis no diagnóstico de determinados agentes etiológicos. 



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Principais agentes etiológicos da Pneumonia Adquirida na Comunidade em crianças de acordo com a faixa etária segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria:

 

                                                                                                           

 

Tratamento 

Tratamento inicial é empírico, pois nem sempre será possível identificar o agente causador!

 

Antibiótico de escolha para tratamento ambulatorial:

  • - A amoxicilina é a primeira opção terapêutica, sendo recomendada para o tratamento das Pneumonia Adquirida na Comunidade em crianças, na dose de 50 mg/kg/dia de 8 em 8 horas ou de 12 em 12 horas. 
  • - Devido à possibilidade de M.pneumoniae pode-se optar pela introdução de macrolídeos, como eritromicina, claritromicina ou azitromicina.
  • - Toda criança com pneumonia, que tenha condições clínicas de ser tratada em seu domicílio deve ter uma consulta de reavaliação agendada após 48 a 72h do início do tratamento ou a qualquer momento se houver piora clínica. 

 

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Antibiótico de escolha para o tratamento hospitalar:

As recomendações da OMS para crianças de dois a 59 meses de idade aplicáveis para a nossa realidade são: 

  • - Pneumonia sem tiragem subcostal deve ser tratada com amoxicilina oral: 50 mg/kg/dia duas ou três vezes ao dia, durante sete dias. 
  • - Pneumonia grave deve ser tratada com ampicilina parenteral 50mg/kg/dose, de 6 em 6 horas ou penicilina cristalina 150 000U/Kg/ dia a cada 6 horas. Gentamicina 7,5 mg/kg/ dia, a intervalos de 12 horas, deve ser associada nos menores de dois meses. 
  • - A associação de amoxicilina com inibidores de beta-lactamase, como o clavulanato ou o sulbactam ou a cefuroxima podem ser utilizadas como segunda opção por via oral ou parenteral em doses habituais. 
  • - Na suspeita de pneumonia atípica recomenda-se azitromicina 10mg/kg/dia dose única por 5 dias ou claritromicina 7,5 mg/kg/dose, 12 em 12 horas, por 10 dias.

 

Este texto teve como referência o Documento Científico da Sociedade Brasileira de Pediatria. Lendo ele você estará estudando e se atualizando em uma fonte confiável e assim terá sucesso na conduta e manejo de seus pacientes. Fique atento nas nossas publicações, muitas novidades chegarão para vocês! Fiquem de olho e não percam as novidades!