O pé diabético é uma complicação crônica grave do diabetes. Consiste em lesões nos tecidos profundos associadas a distúrbios neurológicos e doença vascular periférica nos membros inferiores.

A incidência de pé diabético aumentou devido à prevalência mundial de diabetes melito e à expectativa de vida prolongada de pacientes diabéticos. Por isso, é um tema extremamente relevante não só para os endócrinos, mas para todos os profissionais que exercem medicina.

Então excelente leitura!!

 

Epidemiologia:

O diabetes e suas complicações têm alcançado proporções epidêmicas no mundo. Trata-se de uma pandemia mundial que tem extrapolado barreiras econômicas e sociais.

Globalmente, estima-se que cerca de 422 milhões de adultos viviam com diabetes em 2014, comparados a 108 milhões em 1980.

Estudos mostram que a prevalência global do pé diabético entre 3% a 13%. A afecção é mais comum em homens que mulheres, e em pacientes com diabetes melito 2 do que naqueles com diabetes melito 1.

 

Prognóstico:

É importante determinar a gravidade da infecção para avaliar prognóstico, necessidade de internação hospitalar, necessidade de intervenção cirúrgica e definir antibioticoterapia intravenosa ou por via oral.

Para isso, deve-se primeiramente caracterizar quais causas estão desencadeando a infecção, estabelecer suas dimensão e gravidade e, por fim, isolar o agente etiológico envolvido.

 

Diagnóstico:

Exame clínico

O exame clínico tem como objetivo descrever a localização das lesões e classificar a extensão da infecção, desde o acometimento da pele até do osso, se houver.

Laboratório:

Seguimento laboratorial com proteína C reativa (PCR) e velocidade de hemossedimentação (VHS) são interessantes para avaliação de resposta terapêutica.

Exames de imagem:

Exames de imagem, desde a radiografia simples à ressonância nuclear magnética, são de vital importância para avaliar a presença de osteomielite, deformidades ósseas e alterações em partes moles.

 

IMPORTANTE:

1. Para o diagnóstico clínico de infecção em pé diabético devem estar presentes, pelo menos, dois sinais determinantes como eritema local, aumento de temperatura, sinais de inflamação, edema e secreção purulenta.

2. As úlceras podem estar apenas colonizadas por bactérias e sem sinais de infecção local, não sendo recomendado uso de antibióticos nesse caso.

3. As culturas para bactérias aeróbias e anaeróbias devem ser preferencialmente coletadas por meio de aspirado dos abscessos locais, curetagem da úlcera e desbridamento de tecido necrótico.

4. Na suspeita de osteomielite, sempre devemos enviar material ósseo para cultura. O ideal é serem coletadas antes da introdução do antimicrobiano.

5. Em pacientes com infecções leves, sem uso de antibioticoterapia prévia e baixo risco de bactérias multirresistentes, não há, praticamente, a necessidade da coleta de cultura da lesão. Porém, a cultura deve ser realizada nos casos de infecção moderada a grave e se houver risco de envolvimento de bactérias multirresistentes.

 

Tratamento:

Infecções leves:

- Podem ser tratadas ambulatorialmente com antibióticos por via oral que tenham ação contra bactérias colonizadoras de pele, principalmente espécies de Streptococcus e Staphylococcus aureus resistente à oxacilina.

- Regimes recomendados para esses agentes incluem cefalexina 500 mg a cada 6 horas ou amoxicilina/clavulanato 875/125 mg a cada 12 horas ou clindamicina 150 mg a 450 mg a cada 6 horas ou a cada 8 horas (doses para adultos com função renal normal).

- Recomenda-se que estes pacientes sejam acompanhados semanalmente.

Falhas terapêuticas:

- Em caso de falha terapêutica, suspeitar de agentes resistentes como MRSA, bacilos gram-negativos e anaeróbios e ampliar o espectro antimicrobiano.

- Para cobertura desses agentes, sugere-se a associação de sulfametoxazol/trimetoprima 800/160 mg 2 comprimidos a cada 12 horas mais amoxicilina/clavulanato 875/125 mg a cada 12 horas.

Alternativa: Associação da clindamicina com uma quinolona (ciprofloxacino 500 mg a cada 12 horas ou 750 mg a cada 12 horas (dose para Pseudomonas) ou levofloxacino 500 mg a cada 24 horas ou 750 mg a cada 24 horas (dose para Pseudomonas) ou moxifloxacino 400 mg a cada 24 horas.

Infecções com acometimento de fáscias:

- O tratamento necessita abranger antibióticos com atividade contra Streptococcus; Staphylococcus sensível à oxacilina (cefalexina 500 mg por via oral a cada 6 horas ou amoxicilina/clavulanato 875/125 mg a cada 12 horas ou clindamicina 150 a 450 mg a cada 6 a 8 horas); MRSA, se houver suspeita; bacilos gram-negativos e bactérias anaeróbias.

- Para cobertura de MRSA, as opções por via oral seriam sulfametoxazol/ trimetoprima, linezolida (porém, está apresenta custo elevado) ou doxiciclina 100 mg a cada 12 horas.

 

Conclusão:

A duração da terapia dependerá da gravidade da lesão. Para infecções leves, deve-se instituir antibioticoterapia oral durante uma a duas semanas associada aos cuidados locais da lesão.

Não se faz necessário o tratamento com antibióticos ao longo de todo o período em que a lesão estiver aberta, mas apenas durante o período de infecção.

 

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Ufaaa, muita informação né?! Mas é muito importante ter conhecimento sobre esse assunto de grande importância na clínica médica.

 

Referência:

Consenso no tratamento e prevenção do pé-diabético.