Por Cenbrap em segunda-feira, 17 de setembro de 2018
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Que grande parte da população está acima do peso, nós já sabemos. Também temos ciência do quanto isso é prejudicial à saúde e da importância de, como médicos, fazer a orientação correta para a perda de peso do paciente. Mas a verdade é que, diante da urgente necessidade de emagrecer, muitos indivíduos não se contentam com as principais recomendações médicas (controle da dieta e prática de atividade física) e acabam utilizando outros meios para alcançar seu objetivo. Vídeos da internet, as blogueiras e suas famosas “receitas fit” então entram em ação e influenciam diversas pessoas. Foi exatamente nesse contexto em que o óleo de coco foi apresentado como um alimento milagroso, que promete emagrecer, melhorar a imunidade, trazer saciedade e até controlar o colesterol. Mas será que ele é tudo isso mesmo? Existem evidências científicas que comprovam sua eficácia? O que a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) diz a respeito?
O óleo de coco não é, na verdade, uma grande novidade. Já tem sido utilizado há algum tempo, mas voltou a ser assunto de destaque após a publicação da Harvard School of Public Health, feita em agosto de 2018. Diversas reportagens foram veiculadas na grande imprensa, tanto em sites quanto impressos, mencionando a recente pesquisa, a qual sustenta que o óleo de coco é prejudicial à saúde por conter, quase exclusivamente, ácidos graxos saturados. O vídeo com explicações sobre o estudo no canal oficial da Harvard University já chegou a 1 milhão de views e ganhou repercussão mundial.
A SBEM e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), entretanto, já haviam se posicionado quanto a isso ainda em 2015. A recente publicação da Harvard apenas colaborou com o que as sociedades já haviam dito. A fim de esclarecer essa questão, destacamos, então, as principais recomendações feitas pela SBEM e ABESO em sua nota oficial:
Não há qualquer evidência científica de que o óleo de coco leve à perda de peso;
O uso do óleo de coco pode ser deletério para os pacientes devido à sua elevada concentração de ácidos graxos saturados;
A SBEM e a ABESO não recomendam o uso regular de óleo de coco como óleo de cozinha, devido ao seu alto teor de gorduras saturadas e pró-inflamatórias. O uso de óleos vegetais com maior teor de gorduras insaturadas (como soja, oliva, canola e linhaça) com moderação, é preferível para redução de risco cardiovascular.
Assim sendo, pela falta de evidências científicas que comprovam sua eficácia e pelo potencial risco à saúde, a SBEM e a ABESO posicionam-se frontalmente contra a utilização terapêutica do óleo de coco para o emagrecimento. Eis aí o nosso norte!