O diabetes é uma das doenças mais incidentes no mundo. Por isso é muito comum encontrarmos pacientes diabéticos em nossa jornada como médicos. Então todo bom médico deve estar atento às consequências que o diabetes pode trazer a longo prazo aos nossos pacientes para assim melhor orientá-los.

 

Neste texto falaremos sobre a nefropatia diabética, que é a principal nefropatia secundária (doença que acomete os rins e que está relacionado a uma doença sistêmica). Aqui você encontrará alguns conceitos importantes da nefropatia diabética que o médico precisa ter em mente assim como o diagnóstico deve ser feito e o tratamento adequado. Boa leitura! 

 

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Conceitos importantes que o médico precisa saber sobre a nefropatia diabética:

 

  • - A nefropatia diabética é uma das principais causas de Insuficiência Renal Crônica;
  • - A glomeruloesclerose diabética é o principal tipo de lesão renal no Diabetes Mellitus;
  • - A glomeruloesclerose difusa é a lesão mais frequente da nefropatia diabética;
  • - A glomeruloesclerose nodular (KimmelstielWilson) é a lesão mais específica da nefropatia diabética;
  • - Tanto o Diabetes Mellitus tipo 1 quanto o Diabetes Mellitus tipo 2 acarretam o mesmo risco de nefropatia diabética (cerca de 20% a 40%);
  • - A periodicidade de rastreamento deve ser anual;

 

Quais são os sinais e sintomas do paciente com nefropatia diabética?

 

Atenção: À semelhança de diversas doenças renais, a nefropatia diabética produz sintomas clínicos tardiamente. Portanto, a vigilância dos sinais laboratoriais, em especial da microalbuminúria pela relação albumina/creatinina, merece especial atenção. Porém, quando os sinais e sintomas ocorrem, são eles:


 

  • - A hipertensão arterial é comumente identificada;
  • - Edema generalizado pode ocorrer;
  • - Sintomas relacionados à hipoglicemia podem estar presentes uma vez que a insulina é depurada principalmente nos rins e uma baixa taxa de filtração glomerular (TFG) pode elevar os níveis séricos de insulina (ainda mais quando o paciente faz uso de insulina ou de hipoglicemiantes orais);
  • - Ainda relacionado a uma TFG baixa, sintomas de síndrome urêmica, tais como: anorexia, náusea, vômitos, dispneia, edema, pericardite, podem ocorrer. 

 

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Como diagnosticar, então, um paciente com nefropatia diabética?

 

 Obs.: 

  1. 1. Para pacientes com DM tipo 1 com mais de 12 anos de idade, o rastreamento para nefropatia diabética (dosagem de microalbuminúria) deve ocorrer a partir de cinco anos do diagnóstico;
  2. 2. Para pacientes com DM tipo 2 o rastreamento para nefropatia diabética (dosagem de microalbuminúria) deve ocorrer já no momento do diagnóstico. 

 

Tome nota!


 

  • - A microalbuminúria fixa marca o início da nefropatia diabética propriamente dita e é definida como:
  • - Excreção de albumina entre 30-300 mg/dia (Urina de 24h);  ou 
  • - Excreção de albumina entre 30-300 mg/g (Amostra urinária isolada);

 

Obs.: Para ser considerada microalbuminúria fixa, o resultado deve se repetir em pelo menos duas de três amostras de urina, colhidas num período de 3-6 meses.

Obs2.: Caso a demonstração de uma excreção urinária de albumina seja superior a 300 mg/24 horas, em pelo menos duas dosagens, caracteriza a evolução para a nefropatia diabética declarada.

Obs3.: A dosagem de creatinina sérica e o cálculo da taxa de filtração glomerular deve ser sempre realizados. 

 

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Tratamento do paciente com nefropatia diabética:


 

  1. 1. Controle Glicêmico:
  • - A recomendação atual em relação ao controle glicêmico dos diabéticos Tipo 1 e Tipo 2 consiste em manter o nível de Hemoglobina Glicosilada (HbAc1) menor ou igual a 7%
  • - O tratamento intensivo da hiperglicemia afeta favoravelmente o prognóstico da doença, uma vez que estudos mostram que há evidências entre hiperglicemia e complicações microvasculares do diabetes, entre elas a nefropatia diabética;


 

  1. 2. Uso dos Inibidores da ECA e os Antagonistas da Angiotensina II:
  • - Essas duas classes de medicamentos possuem o efeito particular de dilatar preferencialmente a arteríola eferente. A dilatação da arteríola alivia a pressão intraglomerular, o principal fator deflagrador da glomeruloesclerose e da proteinúria;
  • - Além do mais, estes medicamentos promovem o controle pressórico que é imprescindível para prevenir o surgimento e atrasar a progressão da nefropatia diabética. 
  • - Contribuem também para o benefício adicional da nefroproteção: ao promoverem uma vasodilatação preferencial da arteríola eferente eles reduzem a hipertensão intraglomerular e desse modo a hiperfiltração (principal fator etiopatogênico da glomeruloesclerose diabética).
  • - Meta pressórica para pacientes diabéticos: PA < 140 x 90 mmHg.

 

  1. 3. Restrição protéica:
  • - Recomenda-se uma ingesta proteica de 0.8 g/kg de peso/dia. 
  • - Restrições mais intensas não trazem benefícios em termos de nefroproteção, e ainda por cima aumentam o risco de desnutrição;


 

  1. 4. Controle da dislipidemia:
  • - A hipercolesterolemia pode, independente dos níveis tensionais, se correlacionar com pior evolução. Por isso, as metas são: LDL abaixo de 100 mg/dl, Triglicerídeos abaixo de 150 mg/dl e HDL > 40 mg/dl (para homens) e HDL > 50 mg/dl (para mulheres);


 

  1. 5. Tratamento não medicamentoso:
  • - Redução de peso do paciente é um importante fator de bom prognóstico, evitando assim o consumo de alimentos calóricos e montando um programa de atividade física regular;
  • - Além do mais, neste processo de mudança de estilo de vida, a interrupção do tabagismo é fundamental para a boa evolução do paciente com nefropatia diabética

 

Leia: “Tratamento farmacológico do Diabetes Mellitus: posologia, vantagens e restrições dos antidiabéticos” 

 

Pronto! Você agora está por dentro dos principais pontos que o médico deve saber sobre a nefropatia diabética. Lembre-se que a Faculdade CENBRAP está sempre disposta a ajudar no conhecimento do médico, e pensando nisso, nós temos Pós-Graduação em Endocrinologia da Faculdade CENBRAP. Se capacite!