1. Mortalidade Materna
O que é considerado morte materna?
É o óbito de uma mulher durante a gestação ou em até 42 dias após o término da gravidez. Portanto, para ser classificada assim, a causa deve estar ligada ou ter sido agravada pelo estado gravídico, excluindo-se mortes por acidentes comuns (ex: atropelamento sem relação com a gravidez).
Como se divide a morte materna na prática?
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Causas Diretas (70-80%): Decorrem de complicações obstétricas (falhas no manejo, omissões ou tratamentos inadequados). São, em grande parte, evitáveis.
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Causas Indiretas (20-30%): Doenças que a paciente já tinha ou que surgiram na gestação, mas que foram pioradas pela fisiologia da gravidez.
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Morte Materna Tardia: Ocorre após 42 dias e antes de completar 1 ano do fim da gestação.
Como calcular o Coeficiente de Mortalidade Materna (CMM)?
Diferente de outros índices, o denominador não é a população total, mas sim o número de nascidos vivos, pois ele é o melhor estimador de quantas mulheres ficaram grávidas no período.
Por que esse índice é tão importante para o médico?
Ele é o principal termômetro da qualidade da assistência à saúde. Sendo assim, taxas altas indicam falhas graves no pré-natal, na condução do parto e no acompanhamento do puerpério. No Brasil (dados de 2019), o índice foi de 55,31, muito acima de países como Suécia e Itália (que possuem índice 4).
Um suicídio ou acidente pode ser morte materna?
Sim, visto que se houver comprovação de que a causa externa teve relação com o ciclo gravídico (ex: suicídio por depressão pós-parto), o Ministério da Saúde orienta contabilizar como morte materna.
2. Mortalidade por Causas Externas
O que são "Causas Externas"?
São óbitos decorrentes de fatores ambientais, acidentais ou violentos. Os grupos principais são:
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Acidentes de transporte.
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Homicídios (agressões).
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Suicídios.
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Quedas e causas indeterminadas.
Como é feito o cálculo?
Diferente do cálculo materno, aqui comparamos o volume de mortes com a população total residente.
O Coeficiente de Mortalidade por Causas Externas é calculado dividindo-se o número total de óbitos por causas externas (como acidentes e violências) pela população total residente ajustada para o meio do ano, multiplicando-se o resultado por 100.000.
Qual é o cenário atual no Brasil?
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A taxa gira em torno de 76 mortes por 100 mil habitantes.
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Existe uma clara sobremortalidade masculina: homens morrem cerca de 5 vezes mais por essas causas do que mulheres.
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Em 2019, as agressões foram a principal causa, seguidas pelos acidentes de trânsito.
Para que o médico deve usar esses dados?
Esses indicadores ajudam a planejar políticas de prevenção e entender os riscos específicos de cada região. Para o clínico, ajuda a identificar o perfil epidemiológico de sua área de atuação (ex: alta incidência de traumas ou violência urbana).
Limitações Importantes (O que pode mascarar os dados)
Tanto para mortalidade materna quanto para causas externas, o médico deve estar atento a:
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Subnotificação: Falta de preenchimento correto das Declarações de Óbito (DO).
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Causas Mal Definidas: Quando a "causa básica" não é bem descrita, o indicador perde precisão.
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Diferenças Regionais: Norte e Nordeste costumam ter coberturas de dados menos precisas que o Sudeste.