1. Conceito do transtorno específico da aprendizagem com prejuízo na matemática

O transtorno específico da aprendizagem com prejuízo na matemática é caracterizado por dificuldades significativas em habilidades matemáticas, afetando o desempenho acadêmico.

 

  1. Prevalência:

Estima-se que cerca de 1% das crianças em idade escolar sofram dessa condição em relação a matemática, embora estudos indiquem uma prevalência entre 3,5% a 6,5% para formas mais graves. As dificuldades matemáticas são relativamente mais frequentes em mulheres comparadas às dificuldades de leitura.

 

  1. Diagnóstico:

Para o diagnóstico, a criança deve apresentar dificuldades em contagem, cálculos aritméticos e lembrar fatos matemáticos, por pelo menos seis meses, mesmo após intervenções corretivas. Estas dificuldades devem ser documentadas através de testes padronizados de desempenho acadêmico. Os critérios incluem problemas na conversão de problemas escritos em símbolos na matemática, reconhecimento de símbolos, conhecimentos básicos de operações matemáticas e habilidades de atenção.

 

  1. Comorbidade:

Dificuldades em matemática geralmente ocorrem com deficiências de leitura e expressão escrita, além de transtornos de linguagem expressiva e coordenação evolutiva.

 

  1. Etiologia:

O transtorno tem uma forte contribuição genética, com relatos de taxas elevadas de comorbidade com deficiências de leitura. Fatores neurológicos, maturacionais, cognitivos, emocionais, educacionais e socioeconômicos também são influentes na aprendizagem da matemática. Prematuridade e baixo peso ao nascer são fatores de risco.

 

  1. Desenvolvimento e Curso:

Crianças com este transtorno geralmente são identificadas em torno dos 8 anos, mas os sintomas podem surgir já aos 6 anos ou se tornarem aparentes até os 10 anos. Sem intervenção, essas crianças podem enfrentar dificuldades acadêmicas persistentes, baixa autoestima e desmotivação escolar não apenas na matemática.

 

  1. Características Clínicas:

As crianças apresentam dificuldades em denominar números, lembrar operações básicas, aprender tabuada, traduzir problemas em palavras para cálculos e realizar operações na velocidade esperada. Deficiências adicionais incluem problemas na discriminação e manipulação de relações espaciais e numéricas.

 

  1. Diagnóstico Diferencial:

O transtorno deve ser diferenciado de outras causas de dificuldades acadêmicas, como deficiência intelectual e transtornos de comportamento como TDAH.

 

  1. Tratamento:

Intervenções precoces são essenciais, com foco em habilidades de cálculo básico e compreensão de conceitos matemáticos. Ferramentas como fichas, cadernos de exercícios, jogos de computador e programas específicos como o Projeto MATH (programa multimídia de treinamento de instrução individual ou em grupo) têm se mostrado eficazes. Intervenções também podem incluir o desenvolvimento de habilidades sociais para melhorar a disposição da criança em pedir ajuda.

 

  1. Curso e Prognóstico:

Sem tratamento, crianças com este transtorno podem enfrentar dificuldades acadêmicas e emocionais significativas. A intervenção precoce e contínua pode melhorar consideravelmente suas habilidades em matemática e a autoestima.