O que é insônia? A insônia é a dificuldade em iniciar ou manter o sono. Esse quadro é a queixa de sono mais comum e pode ser passageira ou persistente. Nesse sentido, estudos mostram que entre 30% e 45% dos adultos apresentam insônia em algum momento do ano. Como o DSM-5 define o transtorno de insônia? O DSM-5 considera insônia quando há insatisfação com a quantidade ou qualidade do sono, acompanhada de um ou mais dos seguintes sintomas:
  • Dificuldade para pegar no sono;
  • Dificuldade para manter o sono, com despertares frequentes ou dificuldade para voltar a dormir;
  • Acordar antes do horário habitual e não conseguir dormir novamente.
A insônia é sempre consequência de outro problema? Não, pois hoje se reconhece que a insônia pode ser uma condição independente. No passado, acreditava-se que bastava tratar a doença de base (como depressão) para o sono melhorar. Atualmente, sabe-se que tratar apenas a insônia pode ser necessário e não “mascara” outros transtornos psiquiátricos. Quais são os tipos de insônia em relação ao sono? A insônia pode ser descrita de acordo com sua manifestação:
  • Dificuldade para iniciar o sono (fase inicial).
  • Dificuldade para manter o sono, com despertares frequentes.
  • Acordar mais cedo que o esperado, sem conseguir voltar a dormir.
E em relação à duração? A insônia pode ser:
  • Transitória: dura poucos dias, geralmente relacionada a estresse ou ansiedade.
  • De curto prazo: dura semanas, mas menos de três meses.
  • De longo prazo (crônica): persiste por três meses ou mais.
Qual a prevalência da insônia crônica? Cerca de 9% da população geral tem insônia crônica. Nesse sentido, esses pacientes apresentam mais que o dobro de risco de acidentes de trânsito em comparação com quem não tem insônia. Apesar disso, apenas 5% procuram atendimento médico, enquanto mais de 40% recorrem à automedicação com fármacos, álcool ou ambos. Quais fatores podem desencadear insônia passageira? Ansiedade por situações específicas (ex.: provas, entrevistas, perdas, mudanças na vida) pode causar insônia transitória. Apesar de geralmente ser autolimitada, em alguns casos pode ser o início de quadros mais graves, como depressão ou psicose. Como deve ser feito o tratamento da insônia aguda? Muitas vezes não é necessário tratamento específico. Pois, quando se opta pelo uso de hipnóticos, deve-se informar ao paciente que o tratamento é de curto prazo e que pode ocorrer um breve retorno dos sintomas após a suspensão da medicação. O que caracteriza a insônia persistente? A insônia persistente está ligada a dois fatores: Tensão e ansiedade somatizada: o paciente pode não se dizer ansioso, mas apresenta sintomas como ruminação e apreensão ao deitar. Resposta condicionada: o ato de tentar dormir passa a gerar insônia, criando um ciclo vicioso. O que é a percepção inadequada do estado de sono? É quando o paciente relata dormir muito mal, mas exames objetivos, como a polissonografia, mostram sono normal. Nessa lógica, esses pacientes podem ter perfil obsessivo ou apresentar sintomas ansiosos ou depressivos. Por conseguinte, Estratégias como reestruturação cognitiva e redução da preocupação com o sono podem ajudar. O que é insônia psicofisiológica? É a chamada insônia condicionada, marcada pela dificuldade de iniciar o sono. Assim, a cama e o quarto passam a ser estímulos associados à insônia.
 
Características comuns incluem:
  • Preocupação excessiva em não conseguir dormir;
  • Esforço exagerado para adormecer;
  • Pensamentos repetitivos;
  • Tensão muscular ao deitar;
  • Dormir melhor fora de casa ou quando não está tentando dormir.
     
Apesar da queixa persistente, esses pacientes geralmente funcionam bem durante o dia, embora possam sentir cansaço intenso. O que é insônia idiopática? É um tipo raro que costuma começar na infância e persistir por toda a vida. Sua causa é desconhecida, mas suspeita-se de alterações neuroquímicas no tronco cerebral e no prosencéfalo basal. O manejo envolve higiene do sono, técnicas de relaxamento e, em alguns casos, uso criterioso de hipnóticos. O que significa insônia primária? É diagnosticada quando a dificuldade para iniciar ou manter o sono persiste por pelo menos um mês (pela CID-10, ao menos três vezes por semana por um mês), sem estar relacionada a outra condição médica ou psiquiátrica.
Geralmente envolve:
  • Hiperexcitação fisiológica ou psicológica;
  • Condicionamento negativo em relação ao sono;
  • Preocupação excessiva em “conseguir dormir o bastante”.
Transtorno de insônia: critérios diagnósticos do dsm-5 Critério Descrição A. Queixa principal de sono A pessoa sente que não está dormindo bem, seja pela quantidade ou pela qualidade do sono. Isso deve estar associado a pelo menos um dos sintomas: 
1. Dificuldade para adormecer (em crianças, pode ser dificuldade de dormir sem ajuda dos cuidadores). 
2. Acordar várias vezes durante a noite ou ter dificuldade para voltar a dormir (em crianças, precisa da intervenção dos cuidadores). 
3. Acordar muito cedo e não conseguir voltar a dormir.
B. Sofrimento e prejuízo O problema de sono causa sofrimento importante ou atrapalha a vida social, profissional, escolar ou outras áreas importantes da vida. C. Frequência As dificuldades com o sono acontecem em média três ou mais noites por semana. D. Duração O problema persiste por pelo menos três meses. E. Oportunidade adequada para dormir O problema acontece mesmo quando a pessoa tem condições adequadas de sono (tempo, ambiente e oportunidade para descansar). F. Não explicado por outro transtorno do sono O quadro não ocorre apenas devido a outros distúrbios do sono (ex.: apneia, narcolepsia, parassonias, alterações do ritmo circadiano). G. Não causado por substâncias O problema não é consequência do uso de drogas, remédios ou outras substâncias. H. Não explicado somente por outros problemas médicos ou mentais Mesmo que haja doenças físicas ou transtornos psiquiátricos associados, eles não explicam sozinhos a insônia.
  Especificadores: Especificador Explicação Com comorbidade mental A insônia aparece junto com algum transtorno mental que não é do sono (ex.: depressão, ansiedade, uso de substâncias). Com comorbidade médica A insônia ocorre junto com uma condição médica (ex.: dor crônica, doenças cardiovasculares). Com outro transtorno do sono Quando a insônia está associada a outro distúrbio do sono.   Tipos de curso da insônia: Tipo Definição Episódica Os sintomas duram pelo menos 1 mês, mas menos de 3 meses. Persistente Os sintomas permanecem por 3 meses ou mais. Recorrente Ocorrem dois ou mais episódios em um período de 1 ano.   Observação importante: A insônia de curta duração (menos de 3 meses), mas que já causa sofrimento significativo, deve ser registrada como “outro transtorno de insônia especificado”.

Referência: SADOCK, B. J.; SADOCK, V. A.; RUIZ, P. Compêndio de psiquiatria: ciência do comportamento e psiquiatria clínica. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.