Fadiga, depressão, aumento de peso e cansaço são apenas alguns dos sintomas que podem ser causados pelo hipotireoidismo e, consequentemente, pela sua variação subclínica. A doença, que é mais prevalente em mulheres, acomete cerca de 10% da população geral, comprometendo diretamente sua qualidade de vida. Mas afinal, se as manifestações são genéricas, quando suspeitar de hipotireoidismo subclínico? Quais exames devem ser pedidos? E qual o melhor tratamento? À luz do Consenso Brasileiro para a Abordagem Clínica e Tratamento do Hipotireoidismo Subclínico em Adultos (SBEM), vamos analisar o seguinte caso clínico: 

 

Mulher de 71 anos relata fadiga e depressão moderada. É hipertensa e sofreu um infarto do miocárdio há 4 anos. Tem histórico familiar de doença tireoidiana autoimune. Exame físico sem alterações, tireoide não palpável. 

 

Na análise inicial, destacamos que é a clínica do paciente quem vai nortear a investigação para a tireopatia, mas o diagnóstico do hipotireoidismo subclínico (HSC) é puramente bioquímico e consiste em concentrações séricas elevadas do TSH na presença de níveis normais do T4 livre, excluindo-se outras causas de elevação do TSH. Vale destacar que em pacientes com níveis séricos do TSH ≤ 10 mUI/L , deve-se repetir a dosagem em três meses, para diferenciar a elevação momentânea do hormônio da doença propriamente dita. Recomendações como essa são detalhistas e exigem do médico um conhecimento aprofundado sobre o tema, mas merecem destaque por influenciar diretamente no prognóstico do paciente. 
 
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  Após o diagnóstico, é preciso conhecer qual a etiologia da alteração. Para isso, segundo o Consenso, é importante solicitar a dosagem de anticorpos anti-TPO e o ultrassom da tireoide. 

 “Diagnostiquei meu paciente com HSC, sei até a sua causa, mas, afinal, quando posso tratá-lo?"

 O risco de progressão ao hipotireoidismo franco é o primeiro parâmetro a ser considerado na decisão clínica sobre o tratamento. Assim sendo, pacientes com HSC persistente, anti-TPO positivo e/ou com alterações ultrassonográficas sugestivas de autoimunidade tireoidiana, seriam candidatos ao tratamento. 

  A terapêutica, por sua vez, não é novidade. O consenso recomenda o tratamento com a versão sintética do hormônio T4 para todos pacientes com HSC persistente e concentrações séricas do TSH ≥ 10 mU/L. 

  A partir de então, deve-se acompanhar regularmente o paciente, atentando-se aos sinais de melhora ou piora do quadro. 

 

Referências:

Consenso Brasileiro para a Abordagem Clínica e Tratamento do Hipotireoidismo Subclínico em Adultos: recomendações do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, 2013.

Robin P. Peeters, M.D., Ph.D. Subclinical Hypothyroidism. The New England Journal of Medicine, 2017.