O hiperparatireoidismo é a causa mais comum de hipercalcemia. E existem três formas da doença: hiperparatireoidismo primário, secundário e terciário. Destas, o hiperparatireoidismo primário é o mais comum e é justamente sobre ele que falaremos neste texto. Aqui você encontrará as principais causas, como se expressam as características da doença nos indivíduos acometidos, como realizar o diagnóstico e qual é o tratamento correto. Então, vamos ao que interessa:

 

Qual é a etiologia do hiperparatireoidismo primário?

- Mais comum: adenoma solitário esporádico (apenas uma das paratireoides com a doença) – representando cerca de 80% dos casos.

- Hiperplasia de duas ou mais glândulas – ocorre em cerca de 20% dos casos

- Menos comum: carcinoma paratireoidiano – representa menos de 1% dos casos.

Obs.: Em pacientes mais jovens (menores do que 30 anos), as estatísticas podem mudar: como haverá o fator genético a hiperplasia multiglandular representará 1/3 dos casos e a frequência de câncer ultrapassará os 5%.

 

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Como ocorre a fisiopatologia do hiperparatireoidismo primário?

Para entendermos precisamos ter em mente que todas as formas de hiperparatireoidismo (incluso as formas secundária e terciária) a secreção de PTH está excessivo. Os níveis séricos de PTH estarão maiores do 65 pg/ml.

Com o excesso do PTH circulante, dois órgãos alvos serão acometidos – os rins e os ossos. Onde abordaremos seus efeitos separadamente a seguir:

- Rins:

O PTH estimulará a secreção renal de fosfato – ocasionando hiper fosfatúria.

O PTH também estimulará a reabsorção tubular de cálcio – ocasionando então a hipercalcemia e a hipercalciúria.

O resultado da soma da hipercafosfatúria com a hipercalciúria resultará na formação de cálculos renais. Sendo assim, um dos problemas do hiperparatireoidismo é a ocorrência de nefrolitíase de repetição.  

 

- Ossos:

Com o aumento do PTH, tanto a atividade osteoclástica quanto a atividade osteoblástica estarão aumentados. Consequentemente, a matriz do osso neoformado não é corretamente mineralizada, pois o cálcio será removido do tecido e será lançado na circulação sistêmica. Além do mais, ocorrerá o woven bone onde a produção do colágeno será defeituosa e a matriz do osso recém-formado ficará comprometida. Sendo assim, surgirão os cistos intraósseos e aumentará os riscos de uma fratura óssea patológica.

 

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Como é realizado o diagnóstico do hiperparatireoidismo primário?

A demonstração laboratorial de hipercalcemia acompanhada do aumento do PTH fecha o diagnóstico de hiperparatireoidismo e os métodos de imagem não são obrigatórios.  

Então, não se esqueça:

- A hipercalcemia é definida como cálcio total > 10.5 mg/dl ou cálcio ionizado > 5.5 mg/dl.

-  As alterações da albuminemia podem falsear o resultado da dosagem de cálcio total. Então, é mandatório dosar a albumina plasmática e, na presença de hipoalbuminemia, os valores de cálcio total devem ser corrigidos!

- Fórmula para correção do Cálcio:  Cálcio corrigido = Cálcio total medido + 0,8 x (4 – albuminemia do paciente);

- Para fechar o diagnóstico, os exames de imagem não são necessários, porém são úteis quando se indica o tratamento cirúrgico e para identificação de paratireoides ectópicas.

 

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Quais são as principais manifestações clínicas e qual o perfil do paciente acometido com hiperparatireoidismo?

Vale ressaltar aqui a importância de uma anamnese bem detalhada, pois muitos pacientes já convivem com os sintomas (que se apresentam discretamente) e os consideram normais.

Nos casos mais graves, os pacientes queixam-se de dor e as deformidades ósseas do tipo osteíte fibrosa cística estarão presentes em até 15% dos casos. Geralmente os pacientes são hipertensos e o paciente apresenta a chamada Crise da Hiperparatiroide, caracterizada por:

- Cálcio sérico total maior do que 15 mg/dl;

- Encefalopatias (vômitos, crise convulsiva e fraqueza muscular intensa);

- Desidratação;

- Insuficiência Renal Aguda pré-renal;

O perfil do paciente com hiperparatireoidismo: podem ser acometidos indivíduos de qualquer faixa etária, porém é mais frequente nos idosos (pico na sétima década de vida), nos afrodescendentes e no sexo feminino.

 

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Qual o tratamento para o hiperparatireoidismo primário?

Como estratégia de resgate (terapia inicial), os calcimiméticos são drogas que estimulam diretamente o sensor de cálcio das células paratireoidianas, aumentando o feedback negativo que a hipercalcemia exerce sobre a secreção de PTH, de modo a reduzir a secreção do hormônio.

Os Bisfosfonados intravenosos são utilizados quando há hipercalcemia grave. Este medicamento inibe a atividade osteoclástica.

Os bisfonafonados orais não são úteis para controle da hipercalcemia/hipercalciúria, mas são utilizados para o tratamento da osteoporose.

A reposição de vit. D (na forma de colecalciferol) está indicada se houver deficiência. A dose varia de 800-2000 UI/dia, objetivando manter a 25(OH)-vitamina D ≥ 30 ng/ml.

 

O tratamento definitivo é a paratireoidectomia que está indicada:

- Na presença de sintomas de hiperparatireoidismo;

Quando o paciente é assintomático, está indicado na presença de:

- Nefrolitíase/Nefrocalcinose;

- Idade < 50 anos;

- Gravidez;

- Cálcio sérico 1mg/dl acima Limite Superior da Normalidade (LSN);

- Calciúria > 400mg/dia (independente do cálcio sérico);

- Clearance de creatinina < 60 ml/min;

- Osteoporose (T score inferior a -2,5 DP)

- Fratura patológica;

- Dificuldade em manter um acompanhamento clínico regular.

 

Tendo as respostas destas questões em mente, você estará apto a garantir os primeiros atendimentos aos seus pacientes com suspeita de hiperparatireoidismo. Como conhecimento nunca é demais, oferecemos a você a nossa Pós-graduação em Endocrinologia. Com ela, você ficará por dentro das mais modernas condutas na área endocrinológica. Junte-se a Faculdade Cenbrap, não haverá arrependimentos.