Todo médico sabe da importância do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade e continuado até os dois anos de idade (ou mais). Inclusive, essa é uma prática que devemos estimular em nossos consultórios. Mas podem surgir situações em que o aleitamento materno não é mais uma possibilidade. E é exatamente nesses momentos que algumas dúvidas sobre prescrição das fórmulas e compostos lácteos infantis podem aparecer. Por isso, elaboramos este texto para o ajudar na melhor decisão junto ao seu paciente.
Afinal, em quais situações o aleitamento materno, não é possível ou está impossibilitado?
- - Baixa produção de leite materna (seja por causa natural ou efeito adverso de medicamentos);
- - Quando o bebê rejeita as mamas da mãe;
- - Quando o bebê tem dificuldade de realizar a pega mamária adequadamente.
Sendo assim, são nesses momentos que a suplementação com as fórmulas e compostos lácteos infantis, faz-se necessário. Principalmente no primeiro ano de vida, fase de crescimento acelerado, que exige aporte adequado de proteínas de alto valor biológico e cálcio. Sendo assim, o objetivo do uso de fórmulas infantis é a garantia de oferta nutricional e manutenção do bem-estar biopsicossocial da mãe e do lactente, que pode ser realizada de forma definitiva, momentânea ou pontual.
Leia: “O que cai na Prova de Título em Pediatria”
A indicação de qual fórmula infantil deve ser individualizada, levando em consideração os seguintes aspectos:
- 1. Idade do lactente;
- - Fórmulas infantis de partida: para lactentes do nascimento até seis meses
- - Fórmulas infantis de seguimento: para lactentes a partir dos 6 meses
- - Fórmulas infantis de primeira infância: para crianças de 1 a 3 anos
- 2. Impacto econômico que estes produtos acarretam para a família, pois também devemos levar isto em conta para a prescrição.
Orientações que devem ser oferecidas à família:
- 1. Sempre estimular o aleitamento natural, pois é o método mais eficiente para prevenir a morbidade e mortalidade infantil;
- 2. Utilizar as fórmulas e os compostos lácteos como alternativa alimentar quando se esgotarem as possibilidades da amamentação de forma parcial ou total;
- 3. Os compostos lácteos não são produtos para uso rotineiro, e muito menos são obrigatórios, mas são uma opção com benefícios reconhecidos.
- 4. Deve-se sempre estimular o consumo de alimentos tradicionais com alto valor nutricional para a composição de dietas quantitativa e qualitativamente equilibradas.
- 5. E o leite de vaca integral não é recomendado para crianças menores de 1 anos, devido ao:
- - Alto teor de ácidos graxos saturados;
- - Baixos teores de ácidos graxos essenciais, oligoelementos e vitaminas D, E e C;
- - Menor biodisponibilidade de micronutrientes, como ferro e zinco;
- - Altas taxas de sódio;
- - Alto teor proteico
- - Inadequação da relação caseína/proteínas do soro.
A seguir, um quadro disponibilizado pela SBP, com as características de regulamentação e composição de nutrientes dos substitutos do leite materno (fórmulas infantis, compostos lácteos e leite de vaca integral) determinados pelos órgãos regulatórios - ANVISA (Agência de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde do Brasil) e o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil):

Considerações finais:
Se você, caro médico leitor, tem interesse em se qualificar ainda mais na área pediátrica, faça a nossa Pós-Graduação em Pediatria. Saiba também que o aleitamento materno é um dos temas mais prevalentes na Prova de Título de Pediatria e a Faculdade Cenbrap está disposta a te ajudar em mais uma conquista. Não perca mais tempo e invista em você!
Referências:
- Manual de Orientação do departamento científico de nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.