A Febre Reumática é a doença reumática mais comum no Brasil, com pico de incidência entre 5 e 15 anos de idade. A condução de casos pediátricos como esse depende diretamente da identificação dos critérios diagnósticos (Critérios de Jones) da FR, os quais foram recentemente atualizados. Por isso, vejamos o que mudou nos critérios de Jones para Febre Reumática.
A partir de 1992, a Febre Reumática passou a ser diagnosticada por meio de critérios clínicos e laboratoriais específicos, conhecidos por “Critérios de Jones”. No entanto, em 2015, a American Heart Association (AHA) revisou e atualizou esses critérios, que agora devem ser usados no diagnóstico da febre reumática. O documento científico completo foi publicado na Revista Brasileira de Reumatologia.
- O que mudou?
1) Grupos de risco
As crianças suscetíveis são agora divididas em dois grupos distintos, de acordo com dados epidemiológicos que refletem o risco para o desenvolvimento da febre reumática.
- Baixo risco: locais em que a incidência de FR é menor que 2/100.000 escolares (5-14 anos) ou que a prevalência de cardite reumática crônica é menor a 1/1000.
- Moderado a alto risco: locais em que a incidência de FR e a prevalência de cardite reumática crônica são maiores do que os supracitados.
2) Diagnóstico de recidiva
Antes da atualização, os critérios de Jones eram usados para diagnosticar apenas episódios iniciais da febre reumática. Depois dela, inclui-se a possibilidade de se usarem os critérios para fazer o diagnóstico de recidivas da doença.
3) Novos critérios maiores
A poliartrite foi substituída pela mono/poliartrite ou somente artralgia como critério maior. Essa alteração visa aumentar a sensibilidade dos critérios, abrangendo o número de pacientes diagnosticados e tratados.
4) Novos critérios menores
Seguindo a mesma linha de raciocínio que alterou os critérios maiores, a poliartralgia foi substituída pela monoartralgia nos critérios menores.
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- Critérios de Jones atualizados – resumo final
- Primeiro surto de FR: 2 critérios maiores OU 1 critério maior + 2 menores;
- Recidiva de FR: 2 critérios maiores OU 1 critério maior + 2 menores OU 3 critérios menores.
O quadro abaixo revela a relação de critérios necessários para o diagnóstico do surto inicial de febre reumática e de uma recidiva:
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Por fim, os critérios maiores e menores, de acordo com o grupo de risco, são citados nas figuras a seguir. Lembramos que, associado aos critérios específicos, deverá ser comprovada infecção estreptocócica prévia (cultura, ASLO, teste rápido e/ou história de escarlatina).
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Em breve, mais assuntos de relevância pediátrica. Até lá!
Referências:
- Febre reumática: atualização dos critérios de Jones à luz da revisão da American Heart Association – 2015. Revista Brasileira de Reumatologia, 2015.
- Tratado de Pediatria, 4a Edição. Sociedade Brasileira de Pediatria, 2017.