O que significa o termo “síndrome do crupe”?

A síndrome do crupe é um conjunto de doenças que afetam as vias aéreas superiores e que apresentam sintomas típicos como rouquidão, tosse seca com som metálico (ladrante), estridor inspiratório e graus variados de desconforto respiratório.

Quando essa síndrome é causada por vírus respiratórios, ela é chamada de crupe viral. No entanto, existem outras causas possíveis, como traqueíte bacteriana e difteria. Por isso, doenças que afetam principalmente a região supraglótica, como a supraglotite infecciosa, não são classificadas como crupe.

Como o crupe é classificado de acordo com a extensão da inflamação?

A classificação depende da área das vias respiratórias afetada:

  • Laringite: quando a inflamação se limita à laringe, causando principalmente rouquidão e tosse ladrante.
  • Laringotraqueíte: quando o processo inflamatório se estende para a traqueia, surgindo os sintomas clássicos de crupe.
  • Laringotraqueobronquite: quando há envolvimento também dos bronquíolos, além da laringe e traqueia, podendo causar sibilos e tempo expiratório prolongado.

Qual é a importância epidemiológica da laringotraqueobronquite?

A laringotraqueobronquite viral é a causa mais comum de obstrução de vias aéreas superiores em crianças, responsável por cerca de 90% dos casos de estridor. Logo, representa 1,5 a 6% das doenças respiratórias na infância.

Quais são os principais agentes causadores do crupe viral?

Os vírus mais frequentemente associados são:

  • Parainfluenza tipos 1, 2 e 3 (os mais comuns),
  • Influenza A e B,
  • Vírus sincicial respiratório (VSR).

Em crianças maiores de 5 anos, o Mycoplasma pneumoniae também pode estar envolvido.

Qual é a faixa etária e o perfil mais afetado?

O crupe viral acomete principalmente crianças entre 1 e 6 anos, com pico de incidência aos 18 meses. Somado a isso, é mais comum em meninos, ocorrendo de 1,4 a 2 vezes mais do que em meninas. Essa faixa etária é mais vulnerável porque as crianças costumam estar em primeiro contato com os vírus respiratórios, o que favorece a disseminação da infecção pela via aérea.

Por fim, em adultos, a imunidade prévia costuma limitar a infecção à nasofaringe.

Em que época do ano o crupe viral é mais frequente?

Apesar de poder ocorrer durante todo o ano, há aumento de casos no outono e inverno.

Qual é o prognóstico e a necessidade de internação?

Entre as crianças menores de 2 anos que chegam ao pronto-socorro com sintomas de crupe, cerca de 8% precisam ser internadas e menos de 1% necessitam de UTI.

Das crianças que recebem alta, aproximadamente 5% retornam ao hospital em até uma semana após o atendimento inicial.

Como o vírus causa a obstrução das vias aéreas?

O vírus se instala primeiro na nasofaringe e depois se espalha pelo epitélio respiratório da laringe, traqueia e brônquios. Isso leva a inflamação difusa, vermelhidão (eritema) e edema das paredes da traqueia, com redução da mobilidade das cordas vocais. Somado a isso, a mucosa da região subglótica (parte mais estreita das vias aéreas na criança) é frouxa e se enche facilmente de líquido, provocando edema importante. Logo, em lactentes, apenas 1 mm de edema nessa região pode reduzir em 50% o diâmetro da traqueia, o que explica a gravidade do quadro. Portanto, esse estreitamento gera o estridor inspiratório típico do crupe.

Quais são os sintomas clínicos mais comuns?

O quadro geralmente começa com coriza, dor de garganta, tosse leve e febre baixa. Após 12 a 48 horas, surgem os sinais de obstrução de vias aéreas superiores: tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório, podendo evoluir para sinais de insuficiência respiratória.

A maioria dos casos melhora em 3 a 7 dias, mas nos quadros mais graves os sintomas podem durar até duas semanas.

Quais sinais indicam maior gravidade?

Nos casos graves, podem aparecer:

  • Taquicardia e taquipneia,
  • Retrações claviculares, esternais e diafragmáticas,
  • Batimento de asas nasais,
  • Cianose,
  • Agitação psicomotora (que pode evoluir para sonolência).

Crianças menores de 6 meses, com estridor em repouso, alteração do nível de consciência ou hipercapnia estão em risco de falência respiratória e exigem vigilância intensiva.

Como deve ser feita a avaliação clínica inicial?

A oximetria de pulso deve ser realizada em todas as crianças com estridor, embora uma saturação de oxigênio normal não exclua risco de gravidade. Além disso, a hipóxia geralmente aparece tarde, quando já há falência respiratória iminente.

Existem escores clínicos que ajudam a avaliar a gravidade da obstrução, levando em conta nível de consciência, presença de cianose, estridor, retrações e expansibilidade pulmonar.

Quais pacientes merecem atenção especial?

Crianças com doenças prévias (como cardiopatias ou pneumopatias) ou que tenham sido submetidas a cirurgias ou intubações prévias das vias aéreas devem ser avaliadas com cuidado redobrado, pois têm maior risco de complicações.