O crescimento é considerado um dos melhores indicadores de saúde de uma criança. Desvios da normalidade, tanto na altura quanto na velocidade de crescimento, podem indicar a presença de uma doença.
Baixa estatura é um dos motivos mais frequentes para encaminhamento de uma criança ao endocrinologista. A este cabe inicialmente determinar se há, de fato, um problema com o crescimento e, em caso afirmativo, se esse problema é causado ou não por um estado de deficiência hormonal específica.
Dessa forma, este texto tenho como objetivo esclarecer com realizar essa investigação.
Excelente leitura!!!
Quando avaliar a baixa estatura?
O termo baixa estatura refere-se geralmente a qualquer criança cuja altura se encontre abaixo do percentil 3. O fato de uma criança estar, por exemplo, no percentil 25 do gráfico de crescimento não necessariamente indica que esteja normal, uma vez que seu potencial familiar pode corresponder a um percentil maior, e sua velocidade de crescimento pode estar comprometida.
Crianças que apresentem um ou mais dos critérios a seguir merecem ser investigadas:
- Estatura abaixo do percentil 3
- Velocidade de crescimento menor do que o percentil 3 por mais de 6 meses ou menor do que o percentil 25 por 2 anos
- Mudanças das linhas de percentis no gráfico de crescimento para um percentil inferior após a idade de 18 a 24 meses
- Altura abaixo do potencial genético
- Retardo na idade óssea em relação à idade altura.
Como avaliar a criança com baixa estatura?
A investigação adequada da baixa estatura inclui história e exame físico cuidadosos, realização de exames laboratoriais adequados e seguimento clínico da criança, para determinar sua velocidade de crescimento.
História e exame físico
A avaliação deve começar com uma história completa, incluindo:
- Informação sobre a gravidez (doenças, uso de drogas ilícitas ou álcool, evolução da gestação)
- Consanguinidade
- Eventos perinatais, peso e comprimento ao nascer
- Sinais ou história de doença crônica (p. ex., asma brônquica; cardiopatia congênita etc.) ou de anormalidades no status psicossocial
- História do crescimento da criança (gráficos com as medidas anteriores)
- Antecedentes de traumatismos, infecções ou alterações neuro-lógicas
- Uso de medicamentos (p. ex., glicocorticoides)
- Histórico alimentar (amamentação, introdução alimentar e padrão alimentar atual)
- História do crescimento e da puberdade dos pais
- Dados sobre a altura dos os pais (para correlacioná-la com a da criança).
O exame físico também deve ser completo, incluindo a palpação da tireoide, o estadiamento puberal, além da medida da altura e dos segmentos corporais. A percepção de alguns estigmas durante essa avaliação inicial pode ajudar na investigação posterior de alguma doença específica, como uma síndrome genética.
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Relação com a altura média dos pais

Seguimento da criança com baixa estatura
A altura e o peso da criança obtidos em cada consulta devem ser registrados em gráficos de crescimento, o que torna possível avaliar com mais facilidade seu desenvolvimento ponderoestatural ao longo do tempo.
Altura anormal pode ser definida como mais de 2 DP abaixo da média para a idade cronológica, quando corrigida pela média da altura dos pais. Além de definir se uma criança apresenta baixa estatura, é necessário, saber se ela está crescendo de maneira adequada. Para isso, deve-se calcular a velocidade de crescimento em cm/ano.
Uma criança que apresente uma velocidade de crescimento acima da média durante anos consecutivos provavelmente será um adulto alto, assim como uma criança que cresce no percentil 25 ou abaixo por anos sucessivos será um adulto baixo.
Laboratório
Os exames laboratoriais iniciais podem revelar as causas da falha de crescimento, como doença renal crônica, má absorção, infecção ou hipotireoidismo.
Após avaliação clínica cuidadosa, deve-se solicitar os exames iniciais de investigação de acordo com as hipóteses diagnósticas formuladas por meio da história clínica e do exame físico.
Entre esses exames estão:
- Hemograma completo
- Velocidade de hemossedimentação (VHS)
- Perfil bioquímico sérico (cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, creatinina e ionograma)
- Albumina
- Glicemia em jejum
- TSH e T4 livre
- Avaliação radiológica da idade óssea.
Alguns exames especializados podem estar indicados para determinação da causa da baixa estatura, como:
- Cariótipo
- Anticorpos antitransglutaminase e antiendomísio
- IGF-1 e IGFBP-3
- Testes de estímulo para o GH
- Tomografia computadorizada ou, de preferência, ressonância magnética cranioencefálica.
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Principais causas da baixa estatura
Causas não endócrinas de baixa estatura:
- Retardo constitucional do crescimento e puberdade
- Baixa estatura familiar
- Desnutrição
- Doenças renais
- Doenças cardíacas
- Doenças hematológicas
- Doenças gastrintestinais
- Doenças respiratórias
- Distúrbios imunológicos
- Doenças congênitas
- Baixa estatura psicossocial
- Baixa estatura idiopática
- Retardo do crescimento intrauterino
Causas endócrinas de baixa estatura:
- Hipotireoidismo primário
- Síndrome de Cushing
- Deficiência congênita de GH
- Deficiência adquirida de GH
- Tumores hipotalâmico-hipofisários
- Histiocitose X
- Infecções do sistema nervoso central
- Traumatismo craniano
- Irradiação craniana
- Síndrome da sela vazia
- Distúrbios do metabolismo da vitamina D
- Diabetes melito tipo 1 (mal controlado)
- Diabetes insípido (não tratado)
- Resistência ao GH
- Deficiência de IGF-1
Chegamos ao fim, caso tenha gostado desse assunto e tenha interesse na área da endocrinologia conheça nossa Pós-graduação em Endocrinologia. Com ela, você ficará por dentro das mais modernas condutas na área endocrinológica. Junte-se a Faculdade CENBRAP!
Este texto usou Endocrinologia Clínica- Lucio Vilar 6 edição.