A baixa estatura é uma das queixas mais frequentes nas consultas de puericultura, tanto na pediatria, quanto na atenção básica. No entanto, temas fundamentais do crescimento e desenvolvimento ainda geram dúvidas em muitos médicos. Por isso, neste texto explicaremos os 5 passos para investigar a baixa estatura em crianças. Boa leitura!

  • Passo 1: Identificar se realmente há baixa estatura

   Muitos pais chegam ao consultório queixando-se de que o filho(a) está menor que os colegas da classe ou que está demorando a crescer. Nesse momento, é função do médico assistente verificar se realmente há baixa estatura e se ela é apenas uma variante da normalidade ou patológica.

   Para isso, usamos os gráficos de estatura/idade da OMS, que definem baixa estatura como Z escore < -2 ou Percentil < 3.

                              Página 11 - Saúde da Criança 2   Curvas de Crescimento : CIAM

  • Passo 2: Avaliar velocidade de crescimento

   Uma vez constatada a baixa estatura pelos gráficos, é preciso verificar a velocidade de crescimento do paciente. Para isso, faz-se 2 medidas da estatura com intervalo mínimo de 6 meses e compara-se com a velocidade média de crescimento por idade, como mostra a tabela a seguir.

   Possíveis condutas:

1. Se a criança estiver com baixa estatura, mas com velocidade do crescimento normal, considera-se que ela tem uma variante normal do crescimento. Deve-se, então, fazer o acompanhamento semestral do paciente.

2. Se além da baixa estatura, a criança também apresentar velocidade de crescimento diminuída, considera-se que há processo patológico subjacente, o qual será investigado.

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  • Passo 3: Variante normal do crescimento

   Se, apesar da baixa estatura, a velocidade de crescimento estiver normal, considera-se que a criança apresenta uma variante normal do crescimento: baixa estatura familiar ou retardo constitucional do crescimento.

1. Baixa estatura familiar

   Nesse caso, o paciente geralmente tem pais baixos e sua estatura replicará a herança genética recebida. Aqui é válido fazer o cálculo do alvo genético e realizar o raio-x de punhos, que mostrará uma idade óssea compatível com a idade cronológica.

2. Retardo constitucional do crescimento

   Nesse caso, o paciente apresenta pais mais altos, com alvo genético mais elevado, mas ainda está com baixa estatura. Realiza-se, então, o raio-x de punhos que demonstrará idade óssea atrasada em relação a idade cronológica. É uma condição benigna, que logo será resolvida e o indivíduo alcançará seu alvo genético.

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  • Passo 4: Investigação de condições patológicas

   Se o paciente apresenta baixa estatura e redução da velocidade de crescimento, deve ser feita a investigação para condições patológicas subjacentes que justifiquem tal fato. Dentre as principais causam, destacam-se as doenças endócrinas, alterações genéticas e a desnutrição.

  • Passo 5: Fluxograma de investigação da baixa estatura com velocidade de crescimento alterada  

A partir deste ponto, o paciente deve receber uma investigação individualizada, de acordo com a suspeita levantada na consulta. Ainda assim, vale a pena seguir o seguinte fluxograma de investigação:

  • Considerações finais

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