O que determina a conduta diante de um acidente ocupacional com risco de exposição ao HBV?
A conduta depende do resultado sorológico do paciente-fonte e do nível de anticorpos Anti-HBs do profissional acidentado. Por isso, se o trabalhador já foi vacinado contra hepatite B e tem resposta considerada protetora (Anti-HBs ≥ 10 UI/L), não é necessário tratamento adicional.
Em acidentes com material biológico, quais notificações devem ser feitas?
Todos os acidentes devem ser notificados:
- CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho): obrigatória para trabalhadores segurados pelo INSS, mesmo sem afastamento.
- SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação): registro obrigatório no Ministério da Saúde, conforme Portarias nº 777/2004 e nº 104/2011.
Para trabalhadores que não têm vínculo com o INSS, não é preciso emitir CAT, mas a notificação no SINAN continua sendo necessária.
Quando está indicada a Profilaxia Pós-Exposição (PPE) para HIV?
A PPE deve ser iniciada o mais rápido possível após o acidente, preferencialmente dentro de 2 horas, e no máximo até 72 horas. Por fim, a duração do tratamento é de 28 dias.
Qual o risco de transmissão ocupacional do HBV e do HCV?
HBV: risco entre 6% e 30%, podendo chegar a 60% dependendo da carga viral do paciente-fonte e outros fatores.
HCV: risco aproximado de 1,8% após acidente percutâneo (podendo variar de 0 a 7%).
O que deve ser avaliado antes de indicar a quimioprofilaxia pós-exposição (PEP)?
A decisão deve considerar:
- Tipo de material biológico envolvido;
- Gravidade e circunstâncias da exposição;
- Identificação do paciente-fonte e sua sorologia para HIV;
- Estado clínico e imunológico do paciente-fonte em caso de HIV positivo.
Quais medidas devem ser adotadas para prevenir transmissão secundária após exposição ao HIV?
O profissional acidentado deve:
- Usar preservativos nas relações sexuais, principalmente nas primeiras 6 a 12 semanas;
- Evitar engravidar nesse período;
- Não doar sangue, órgãos, tecidos ou sêmen;
- Suspender o aleitamento materno, se aplicável.
Como proceder em casos de exposição ocupacional ao HIV durante a gestação?
A decisão deve ser compartilhada entre a gestante e o médico responsável pelo pré-natal. Portanto, a gravidez não deve ser motivo para deixar de oferecer a melhor profilaxia, mas algumas drogas devem ser evitadas, como o efavirenz, por risco de malformações.
Por que os acidentes de trabalho não devem ser atribuídos apenas a erro humano?
Apesar de muitas vezes serem relacionados ao “fator humano”, os acidentes têm causas múltiplas e complexas. Logo, culpar apenas o trabalhador não contribui para a prevenção. Nesse sentido, fatores organizacionais, condições de trabalho e falhas no sistema também devem ser considerados.
O que é o Método de Árvore de Causas (ADC) e qual sua importância?
O ADC é uma ferramenta de investigação de acidentes que considera o caráter multicausal dos eventos. Por isso, ele analisa o acidente dentro de um sistema sócio-técnico, avaliando indivíduo, tarefa, material e ambiente de trabalho. É usado internacionalmente e reconhecido pela OIT.
Qual a diferença entre tarefa e atividade no estudo de acidentes de trabalho?
Tarefa: é o que a empresa prescreve ao trabalhador (instruções, regras, metas).
Atividade: é como o trabalhador realmente executa a tarefa, adaptando-se às condições reais.
A diferença entre o que foi prescrito e o que é feito na prática deve ser investigada, pois muitas vezes revela os fatores que contribuíram para o acidente.
O que deve ser considerado na análise de acidentes segundo o ADC?
É necessário avaliar:
- Como os trabalhadores adaptaram suas atividades diante das dificuldades reais;
- As estratégias usadas (como antecipação de riscos ou ajustes improvisados);
- Os conflitos gerados pela divisão de tarefas entre diferentes trabalhadores;
- As características do processo de trabalho que influenciaram na ocorrência do evento.